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As Estrelas do Céu

Antònia Font

Ses Estrelles Del Cel

Amb sa mateixa peresa
Que un home descarrega un piano
Inventariam ses estrelles del cel
I clovelles de molt bons pistatxos.

I amb sa mateixa pobresa
Omplim es cendrer amb una llosca
I mos pensam que menjam
De sa fruita madura sa carn olorosa.

I és igual
Si ja no mos queden pessetes
Perquè robam es paper higiènic de sa biblioteca
De s'excel·lentíssim ajuntament de lloseta.

I amb sa mateixa aigua clara
Que es homes se renten sa cara
Recuperam sa puresa
Des dies de crisi que mos arruinaren.

I amb sa mateixa mirada
Que es homes se miren sa lluna
Noltros miram sa farola
Pes vidres que sonen a gotes de pluja.

I és igual
Si mos engeguen d'aquesta casa.
Si mos hi menja sa merda, i es cables fan xispes,
Ses teules degoten i ses bicicletes estan rovellades.

Viure és sobreviure,
Es futur parabòlic
Amb atletisme d'imbècil
I equilibrisme d'alcohòlic.

Viure és sobreviure empresonat
Dins un rellotge d'arena,
Lliure dins un infinit arenal,
Lliure de morir-te de fam.

Amb sa mateixa peresa
Que un home descarrega un piano
Inventariam ses estrelles del cel
I clovelles de molt bons pistatxos.

I amb sa mateixa pobresa
Omplim es cendrer amb una llosca
I mos pensam que menjam
De sa fruita madura sa carn olorosa.

I és igual
Si ja no mos queden pessetes
Perquè robam es paper higiènic de sa biblioteca
De s'excel·lentíssim ajuntament de lloseta.

Viure és sobreviure,
Es futur parabòlic
Amb atletisme d'imbècil
I equilibrisme d'alcohòlic.

Viure és sobreviure empresonat
Dins un rellotge d'arena,
Lliure dins un infinit arenal.

Viure és sobreviure,
Es futur parabòlic
Amb atletisme d'imbècil
I equilibrisme d'alcohòlic.

Viure és sobreviure empresonat
Dins un rellotge d'arena,
Lliure dins un infinit arenal,
Lliure de morir-te de fam,
Lliure de morir-te de fam,
De morir-te de fam.

As Estrelas do Céu

Com a mesma preguiça
Que um cara descarrega um piano
Inventaríamos as estrelas do céu
E cascas de pistache bem bons.

E com a mesma pobreza
Enchemos o cinzeiro com uma bituca
E achamos que estamos comendo
Da fruta madura a carne cheirosa.

E tanto faz
Se já não nos restam trocados
Porque roubamos papel higiênico da biblioteca
Da excelentíssima prefeitura de Lloseta.

E com a mesma água clara
Que os homens lavam o rosto
Recuperamos a pureza
Dos dias de crise que nos arruinaram.

E com o mesmo olhar
Que os homens olham para a lua
Nós olhamos para o poste
Pelos vidros que soam como gotas de chuva.

E tanto faz
Se nos mandam embora dessa casa.
Se a gente come a merda, e os fios fazem faísca,
As telhas pingam e as bicicletas estão enferrujadas.

Viver é sobreviver,
O futuro parabólico
Com atletismo de idiota
E equilibrismo de alcoólatra.

Viver é sobreviver preso
Dentro de uma ampulheta,
Livre dentro de uma infinidade de areia,
Livre de morrer de fome.

Com a mesma preguiça
Que um cara descarrega um piano
Inventaríamos as estrelas do céu
E cascas de pistache bem bons.

E com a mesma pobreza
Enchemos o cinzeiro com uma bituca
E achamos que estamos comendo
Da fruta madura a carne cheirosa.

E tanto faz
Se já não nos restam trocados
Porque roubamos papel higiênico da biblioteca
Da excelentíssima prefeitura de Lloseta.

Viver é sobreviver,
O futuro parabólico
Com atletismo de idiota
E equilibrismo de alcoólatra.

Viver é sobreviver preso
Dentro de uma ampulheta,
Livre dentro de uma infinidade de areia.

Viver é sobreviver,
O futuro parabólico
Com atletismo de idiota
E equilibrismo de alcoólatra.

Viver é sobreviver preso
Dentro de uma ampulheta,
Livre dentro de uma infinidade de areia,
Livre de morrer de fome,
Livre de morrer de fome,
De morrer de fome.

Composição: Joan Miquel Oliver