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Letra

    Nascido de alma caudilha
    - nem por isso menos franca -
    Deus te deu essa cor branca
    que até de noite rebrilha.
    Lua do herói na coxilha,
    por de eu for, onde eu ande
    e sem que ninguém me mande
    eu te canto, troféu mudo
    que é puro neste Rio Grande!

    Do pica-pau ao chimango
    vai um pedaço de glória
    e engarupo na memória
    com um guascaço de mango
    recuerdos de algum chatango
    que no passado ficou.
    Se eu sou assim como sou,
    entonado e orgulhoso,
    devo a ti, lenço glorioso,
    que eu herdei do meu avô.

    Das lágrimas de uma china
    quando seu índio partia,
    de uma lua que alumia
    debruçada na campina,
    de uma sanga cristalina
    que murmurava merencórea,
    do clarão de uma vitória
    deste povo leal e franco
    nasceste, meu lenço branco,
    para bandeira de glória!

    Teu gosto é andar voejando
    entre guerreiros e lanças
    e acalentar esperanças
    entropilhadas em bando.
    O futuro está chamando,
    já cumpriste o teu ideal
    porqe o Rio Grand eimortal
    fez de ti o seu retrato:
    oposto do maragato,
    puro, atrevido e bagual!


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