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Porto da Folha É Só Saudade

Antônio Carlos Du Aracaju

Letra

    Ai ai ai essa dor de saudade
    É Porto da Folha como meu coração bate

    Ai ai ai essa dor de saudade
    É Porto da Folha como meu coração bate

    Que saudade do alto do vicano
    Da pedreira e lá da restinga
    Serra dos homens, das sussuaranas
    Dos pilões, da rua de cima
    Lagoa comprida matou tanto a fome
    Tinha piranha, mandim, aragu, traíra
    Era tão bom escorregar na várzea
    No paredão arriscar a vida
    Ver lavadeiras de manhã no São Francisco
    Jegue atolado no chora-menino
    Quero rever cercar (secar) a velha Francisca
    As pedras cheias era tão bonita
    A deusa Olinda era a dona do rio
    Viajar na marinete de Gatinho
    Eu tinha medo era da grota do touro
    E da Maria Puba feito um louco eu corri

    Ai ai ai essa dor de saudade
    É Porto da Folha como meu coração bate (2x)

    Roubar as mangas de Maria Rosa
    As pescarias lá nos caldeirões
    Andar à toa no poço das bestas
    Rever a baixa das quixabeiras
    Dançar forró lá no Araticum
    Odabati na pedra do urubu
    Meu capivara arrastando tudo
    Pesca de grude no riacho dos canudos
    Que saudade da escola de São Pedro
    Do cabo André e Noberto seresteiro
    De seu Osório dedilhando Pinho
    De Pedro Lucas com seu cavaquinho
    Cadê a ondia e o curre de Zé malfeito
    Os pães dormido de Antoin padeiro
    Quero amorosa, manoê e quebra-queixo
    No Natal com fole de Brasinho e sanfoneiro

    Ai ai ai essa dor de saudade
    É Porto da Folha como meu coração bate

    Ai ai ai essa dor de saudade
    É Porto da Folha como meu coração bate

    Rua de cima, rua de baixo, sete casas
    No tanque-novo buscar bote d’água
    Lá nas craíba ver o boi Cariri
    Os vaqueiro atrás de Zepelim
    As costureiras tudo nas calçadas
    Ouvir Carlito fazer serenata
    Hermínia doida quem que não se lembra
    Do tapa no escuro no beco de Mané Ema
    O dia oito era uma beleza
    Missa cantada, o coro da igreja
    Seu Canuto era o sacristão
    Lulu Cocada com a cruz na procissão
    Que tempo bom, me lembro de Janete
    No pastoril, teatro e quermesse
    Das cavalhadas, matracas e serravéias
    Não me esqueço as trovas e o pife do Oséias

    Ai ai ai essa dor de saudade
    É Porto da Folha como meu coração bate

    Ai ai ai essa dor de saudade
    É Porto da Folha como meu coração bate

    Xocós felizes na Ilha de São Pedro
    Senhor Lindolfo até hoje é o mesmo
    Sinhá Preta parteira nunca perdeu um buraqueiro
    Na capelinha o ofício, o terço
    Canarinho era uma carreiro de valor
    Como cantava o carro de Antenor
    Afonso Carreiro com pareias bem treinadas
    Causava inveja por onde passava
    Tirar moeda do cofre do cruzeiro
    Carteira de cigarro era dinheiro
    Seu Foguinho era computador
    No cemitério, o fogo corredor
    Vai longe o tempo das santas missões
    Das penitências, dos grandes sermões
    Do padre Dácio, Gervásio, Padre João Lima
    Do frei Honório, Petrônio e Angelino

    Ai ai ai essa dor de saudade
    É Porto da Folha como meu coração bate

    Ai ai ai essa dor de saudade
    É Porto da Folha como meu coração bate

    Quem dera a escola da igreja de novo
    Da tabuada, sabatina e bolo
    Dona Raquel ou Dona Estela me ensinava
    Ao catecismo aos domingo eu não faltava
    Jogar pinhão ou castanha nos canos
    Fazer tapagem na rua tomando banho
    Oferecer música no alto falante
    Me lembro quando não havia ponte
    Senhor Barbeiro e Seu Salvador
    Que meu primeiro cabelo cortou
    Máquina zero, pequeno príncipe disco a ré
    Uma boneca de Rita quem não quer?
    No sinuca entrar eu não podia
    Seu Eloi e Seu Maurício proibia
    E lá Moreira fazia grandes jogadas
    E o Guarani só ganhava ou empatava

    Ai ai ai essa dor de saudade
    É Porto da Folha como meu coração bate

    Ai ai ai essa dor de saudade
    É Porto da Folha como meu coração bate

    Bulir na rua com dona Juvina
    As oropa quase mata Alzira
    Que saudade do sítio de Tonho Santinho
    Quem dera um picolé de Gabino
    Dona Rosa era arroz doce e cocada
    Toda feira ela nunca faltava
    Com os pães de Juca, de Afonso e Zé Miguel
    De Chico barrigudo eu pensava chegar ao céu
    Como eu corria em cavalo de flecha
    Minhas parêias de pontas quem dera
    Meus cadilacs de lata de Bem-te-vi
    Lembro tão triste quando era feliz
    Hoje é passado, tudo é saudade
    Meus amigos todos afastados
    Quem foi embora e não voltou tá doido
    Ou não bebeu da água do tanque novo

    Ai ai ai essa dor de saudade
    É Porto da Folha como meu coração bate

    Ai ai ai essa dor de saudade
    É Porto da Folha como meu coração bate


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