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Soneto Triste Para Minha Infância

Antonio Ronaldo

De silêncios me fiz, e de agonia
Vi, crescente, meu rosto saturado
Tudo de mágoa e dor, tudo jazia
Nos meus braços de infante degredado

Culpa não tinha a voz que em mim nascia
Pedindo esses desejos – sonho ousado
Por onde o meu olhar navegaria
De cores e de anseios penetrado

Buscava uma beleza antecipada
A condição mais pura de harmonia
Nessa infância de medos tatuada

Querendo-me embeber de inacabada
Procura que, em meu ser, superaria
A minha triste infância renegada

Composição: Antonio Ronaldo / Zila Mamede. Essa informação está errada? Nos avise.

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