Pantomineiro

António Zambujo

A Rosa é bonita
Mas mais é a Rita, que coisa tão bela
E as flores nela como à Gabriela
Vestem um perfume que fica tão bem

Formosa é a Anita
Esguia, catita, mas que caravela
Já Daniela, seu corpo revela
Sorrisos que assumem que a quero também

Falei com Amélia
Para ver a Aurélia, irmã de Florbela
Pois flor como ela só vira Manuela
Aflora ciúme de rubro carmim

Quase não quis Odete
Que através de Elisabete
Mandou as lágrimas dela
Ao contar-lhe na viela
Que não seria ela
Quem ia cuidar de mim

Já beijei Joana
E a Mariana, mas foi com cautela
Pois nessa ruela, na mesma cancela
Num golpe de sorte, Marina me quer

Tal como a Firmina
Ana e Josefina querem ter a tutela
Mas sinto a cela e o meu amor gela
Reanimo o Norte e fujo a correr

Sonhei com os dias
De todas as Marias virem à janela
E como uma aguarela verde e amarela
Num ondulado forte de azul rosmaninho

De tanto querer
Tudo o que é mulher
Sei que no final de não saber qual
Vivo assim o mal
De amar sozinho


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