Paranojia
Ia rabotal kak volk, no ne vyl na Lunu
Kazhdyj den' ia privyk ukhodit' na vojnu -
Zdes' voiuiut vsegda
Za kresty, za zvezdy i za vozdukh
V ehtoj p'ianoj strane est' dlia kazhdogo knut
Zdes' poiut o dushe i v nee zhe pliuiut
Kak nazlo, kak nazlo, kak nazlo
Ia ponial slishkom pozdno...
Ehta zhizn' ne dlia belykh
Ehta zhizn' ne dlia chernykh, net
Ehta zhizn' bez nadezhdy na prosvet!
Gde-to liubov' svetla
Gde-to voda chista
I ne stuchitsia v dver' beda
Gde-to pokoj i svet
No tol'ko nas tam net
Nam ne byvat' tam nikogda
U podrugi moej tozhe sobstvennyj ad
No tam net nichego: ni chertej ni ognia
Tol'ko strakh temnoty
I sluchajnoj vstrechi s neznakomtsem
On vysok, on zhestok, on polnochnyj man'iak
U nego sto imen na gazetnykh listakh
On vezde, on vezde, on vezde
Kak tol'ko siadet solntse...
Ia vchera videl krys - zavtra grianet chuma
I pojdet pirovat', podzhigaia doma
Vsem razdast po krestu
I na Strashnyj Sud otpravit stroem
A segodnia vse p'iut, chtob ne vyt' na Lunu
Pir vo vremia chumy, kto est' kto ne pojmu
Ia begu chtoby zhit'
A vokrug likuet paranojia
Paranoia
Eu trabalhava como um lobo, mas não fui à Lua
Todo dia eu me acostumo a ir pra guerra -
Aqui se luta sempre
Por cruzes, por estrelas e pelo ar
Nesta terra embriagada, há um chicote pra cada um
Aqui se canta sobre a alma e nela se cospe
Como se fosse, como se fosse, como se fosse
Eu percebi tarde demais...
Essa vida não é pra brancos
Essa vida não é pra negros, não
Essa vida é sem esperança de clareza!
Onde está o amor claro
Onde está a água limpa
E a desgraça não bate à porta
Onde há paz e luz
Mas só que não estamos lá
Nunca vamos estar lá
A amiga minha também tem seu próprio inferno
Mas lá não tem nada: nem demônios nem fogo
Só o medo da escuridão
E um encontro casual com um desconhecido
Ele é alto, ele é cruel, ele é um maníaco da meia-noite
Ele tem cem nomes em folhas de jornal
Ele está em todo lugar, ele está em todo lugar, ele está em todo lugar
Assim que o sol se põe...
Eu vi ratos ontem - amanhã a peste vai chegar
E vai começar a festa, incendiando as casas
Vai distribuir uma cruz pra cada um
E na Hora do Juízo vai mandar todo mundo em fila
E hoje todos bebem, pra não gritar na Lua
Festa durante a peste, quem é quem não vou entender
Eu corro pra viver
E ao redor reina a paranoia