Exibições da letra 18

Entre Versos & Abraços

Arlinda Ventura

Letra

    Eu não sei se é o amor que me encontra
    Ou se sou eu que tropeço nas esquinas dele
    Mas quando ele chega, tudo vira poesia
    E cada batida do coração é um verso que não cabe no papel

    Amar, é mais que verbo, é mais que gesto
    É como abrir a janela e respirar o universo
    Fernando Pessoa já disse: O amor é uma companhia
    E Drummond sussurrou: Amar se aprende amando, e a vida confirma todo dia

    É o toque que desperta memórias que a gente nunca viveu
    O sorriso que explica tudo que eu nunca entendeu
    É Nietzsche falando que precisamos de caos pra parir uma estrela
    E eu entendendo que o amor é essa explosão, mas também é centelha

    Entre versos e abraços
    Entre quedas e laços
    O amor é o caminho, não é só o destino
    É o vinho, o copo, a sede, o brinde e o suspiro divino

    Se Camões falou de fogo que arde sem se ver
    Eu sinto essa chama todo dia em você
    Se Florbela Espanca gritou por um amor eterno
    Eu entendo, porque o inverno aqui dentro se torna mais terno

    É filosofia e pele, é metafísica e suor
    É Platão dizendo que a alma gêmea é um só
    Mas a gente é prova viva que duas metades se completam
    E que o infinito cabe num beijo quando dois mundos se conectam

    Já pensei que amor fosse só fase, só ilusão
    Mas vi que é ponte, é cura, é revolução
    Porque quem ama de verdade se doa e não se perde
    Quem sente na raiz não deixa a saudade em alarde

    É Vinícius de Moraes no Soneto de Fidelidade
    Prometendo ser eterno enquanto dure a verdade
    E eu prometendo ser abrigo quando chover no seu olhar
    Ser colo quando a vida pesar
    Ser música quando o silêncio gritar

    Entre versos e abraços
    Entre quedas e laços
    O amor é o caminho, não é só o destino
    É o vinho, o copo, a sede, o brinde e o suspiro divino

    O amor é filosofia vivida
    É poesia que respira
    É quando Rilke diz: Amar é guardar o outro inteiro
    Mesmo sabendo que ele é livre, e não prisioneiro

    É poesia marginal, é muro pintado de te amo
    É bilhete na gaveta, é carta que nunca entregamos
    É Cecília Meireles lembrando que o amor é difícil, mas é a única ponte
    E a gente atravessando juntos, de frente pro horizonte

    Então eu sigo
    Entre os poetas e filósofos
    Entre o que já foi dito e o que ainda vou escrever
    Porque amar é ser autor e personagem ao mesmo tempo
    E no livro da vida, você é o meu capítulo mais bonito

    Uma linda aventura, Arlinda Ventura


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