Carolina Maria de Jesus
Arlindinho
Preta menina, minha Bitita
A escolhida pra ficar na história
Pegou as rédeas do destino no cabresto
E da vida fez um texto
O avesso à escória
Parte pra fazer a sua parte
Nesse mundo de descartes
Não cabiam seus desejos
Assinatura, ancestralidade e fé
Muito mais que rodapé
As chaves do seu Quarto de Despejo
Ê favela, favela do Canindé!
Onde a mãe cata no lixo pro filho poder comer
Povo marginalizado, açoitado pela lei
Cadê justiça, meu Deus? Eu não sei!
Mas tua a palavra é a cura contra o lenço da censura
Quando o certo é talvez
De um Brasil que já nasceu castrado
E o preto favelado quase sempre não tem vez
Não, ninguém apaga a memória
Mil vezes não
Daqui pra frente todo o mundo vai saber
Que o livro é porta aberta pra quem quer vencer
Rainha
Hoje o Carnaval tem a missão
Ninguém solta mais a sua mão
E a gloriosa pretitude vai vencer
Levanta a cabeça, preta!
Ergue o punho, rasga o véu
Tua luta é exemplo pras mulheres do Borel
No prefácio da história a Tijuca é a luz
Assina: Carolina Maria de Jesus



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