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Mão Cruel

Armando Tagini

Mano Cruel

Fuiste la piba mimada
De la calle pepirí,
La calle nunca olvidada
Donde yo te conocí;
Y porque eras linda y buena,
Un muchacho medio loco
Te hizo reina del piropo
En un verso muy fifí.

Tu gracia supo en las milongas cautivar,
Por tus encantos suspiró más de un varón,
Y sin embargo no encontraste el ideal
Capaz de hacer estremece tu corazón.
Pero en las sombras acechaba el vil ladrón
Que ajó tu encanto juvenil con mano cruel,
Cedió tu oído a sus palabras de pasión
Y abandonaste para siempre el barrio aquel.

Hoy te he visto a la salida
De un lujoso cabaret,
Y en tu carita afligida
Honda pena adiviné.
Yo sé que hasta el alma dieras
Por volver a ser lo que eras.
No podrás, la primavera
De tu vida ya se fue.

Hoy ya no sos la linda piba que mimó
La muchachada de la calle pepirí,
Aquella calle donde yo te conocí
Y donde un mozo soñador tanto te amó.
Mintió aquel hombre que riqueza te ofreció,
Con mano cruel ajó tu gracia y tu virtud;
Eras la rosa de fragante juventud
Que hurtó al rosal el caballero que pasó.

Mão Cruel

Você foi a garota mimada
Da rua Pepirí,
A rua nunca esquecida
Onde eu te conheci;
E porque você era linda e boa,
Um garoto meio doido
Te fez rainha do elogio
Em um verso bem chique.

Sua graça soube nas milongas encantar,
Por seus encantos suspirou mais de um cara,
E, no entanto, você não encontrou o ideal
Capaz de fazer seu coração estremecer.
Mas nas sombras espreitava o vil ladrão
Que apagou seu encanto juvenil com mão cruel,
Cedeu seu ouvido às palavras de paixão
E abandonou para sempre aquele bairro.

Hoje te vi saindo
De um cabaré luxuoso,
E em seu rostinho aflito
Uma dor profunda adivinhei.
Eu sei que até a alma você daria
Para voltar a ser o que era.
Você não poderá, a primavera
Da sua vida já se foi.

Hoje você já não é a linda garota que foi mimada
Pela rapaziada da rua Pepirí,
Aquela rua onde eu te conheci
E onde um rapaz sonhador tanto te amou.
Aquele homem mentiu ao te oferecer riqueza,
Com mão cruel apagou sua graça e sua virtude;
Você era a rosa da juventude perfumada
Que o cavaleiro que passou roubou do roseiral.

Composição: Armando Tagini-Carmelo Mutarelli