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Conselho de Ouro

Arquímedes Arci

Consejo de Oro

Yo era un purretito cuando murió mi viejo;
Fue tanta la miseria, que mi viejita y yo
Comíamos llorando el pan amargo y duro
Que en horas de miseria mi mano mendigó.
Mi pobre viejecita lavando ropa ajena
Quebraba su espinazo al pie del piletón,
Por míseras monedas con que calmaba apenas
Las crueles amarguras de nuestra situación.

Fui creciendo a la bartola, y a mis años juveniles
Agarré por el camino que mejor me pareció...
Me codeé con milongueras, me atoré con copetines,
Y el mejor de mis amigos cuando pudo me vendió.
De engreído me hice el guapo; me encerraron entre rejas
Y de preso ni un amigo me ha venido a visitar,
Sólo el rostro demacrado y adorado de mi vieja
Se aplastó contra las rejas para poderme besar.

Por eso, compañero, por tantos desengaños,
No me convence nadie con frases de amistad;
Hoy vivo con mi madre, quiero endulzar sus años
Y quiero hacer dichosa su noble ancianidad.
Me siento tan alegre junto a mi madrecita
Es el mejor cariño que tiene el corazón.
Ese sí, que es un cariño que nadie me lo quita,
Cariño que no engaña ni sabe de traición.

A usted, amigo, que es tan joven, le daré un consejo de oro:
Deje farras y milongas... que jamás le ha de pesar,
Cuide mucho a su viejita, que la madre es un tesoro;
Un tesoro que al perderlo otro igual no ha de encontrar.
Y no haga como aquellos que se gastan en placeres
Y se olvidan de la madre, y no le importa su dolor;
Que la matan a disgustos y recién, cuando se muere,
Se arrepienten y la lloran y comprenden su valor.

Conselho de Ouro

Eu era um pivete quando meu velho morreu;
Foi tanta miséria que minha mãe e eu
Comíamos chorando o pão amargo e duro
Que em horas de aperto minha mão mendigou.
Minha pobre velhinha lavando roupa dos outros
Quebrava as costas ao pé do tanque,
Por míseras moedas com que mal conseguia
Aliviar as cruel amarguras da nossa situação.

Fui crescendo na boa, e na minha juventude
Peguei o caminho que achei melhor...
Me misturei com milongueiras, me enrosquei com copos,
E o melhor dos meus amigos, quando pôde, me vendeu.
De convencido me fiz o durão; me trancaram na cela
E de preso nem um amigo veio me visitar,
Só o rosto cansado e amado da minha velha
Se espremia contra as grades pra poder me beijar.

Por isso, parceiro, por tantos desenganos,
Ninguém me convence com frases de amizade;
Hoje vivo com minha mãe, quero adoçar seus anos
E quero fazer feliz sua nobre velhice.
Me sinto tão alegre ao lado da minha mãezinha
É o melhor carinho que o coração pode ter.
Esse sim, é um carinho que ninguém me tira,
Carinho que não engana e não sabe de traição.

A você, amigo, que é tão jovem, vou dar um conselho de ouro:
Deixe as baladas e as milongas... que nunca vai se arrepender,
Cuide muito da sua velhinha, que mãe é um tesouro;
Um tesouro que, ao perder, outro igual não vai encontrar.
E não faça como aqueles que se perdem em prazeres
E se esquecem da mãe, e não se importam com sua dor;
Que a matam de desgosto e só quando ela morre,
Se arrependem e choram, e entendem seu valor.

Composição: Arquímedes Arci