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O Chefe da Estação

Art Mengo Michel

Le chef de la gare

Il y avait dans une gare de banlieue
Un petit chef de gare amoureux,
Amoureux fou comme c'est curieux,
D'une voyageuse imaginaire

Il l'attendait les soirs d'hiver
Sur les quais transis et déserts
Sous la lumière des réverbères
Il l'attendait comme le bon Dieu

Les gens le trouvaient pas sérieux
Il ne sifflait qu'un train sur deux
Et souvent on faisait la queue
Quand il arrosait ses primevères

Partout il écrivait des vers
Pour son aimée imaginaire
Sur les billets, sur les horaires
Non mais rendez-vous compte un peu

Un jour on lui a dit "mon vieux
Tous les voyageurs sont furieux
On va te remplacer, ça vaut mieux"
Mais comme par extraordinaire
Est descendue d'un vieux train vert
Sa voyageuse imaginaire
Belle comme une pluie dans le désert
Et ils sont partis tous les deux
Partis comme deux vieux amoureux
Dans la douceur d'un chemin creux
Vers des pays un peu plus bleus
Où l'on ne sait rien des horaires

Depuis dans cette gare de banlieue
Tout est redevenu sérieux
Et plus personne ne fait la queue
Mais sur les quais, y a plus de primevères

Il y avait dans une gare de banlieue
Un petit chef de gare amoureux,
Amoureux fou comme c'est curieux,
D'une voyageuse imaginaire.

O Chefe da Estação

Havia numa estação de subúrbio
Um pequeno chefe de estação apaixonado,
Apaixonado louco, que coisa curiosa,
Por uma viajante imaginária.

Ele a esperava nas noites de inverno
Nos trilhos frios e desertos
Sob a luz dos lampiões
Ele a esperava como se fosse Deus.

As pessoas achavam que ele não era sério
Ele só apitava um trem a cada dois
E muitas vezes a gente ficava na fila
Quando ele regava suas primaveras.

Por toda parte ele escrevia versos
Para sua amada imaginária
Nos bilhetes, nos horários
Não, mas perceba um pouco.

Um dia disseram a ele "meu velho
Todos os viajantes estão furiosos
Vamos te substituir, é melhor assim"
Mas como por um milagre
Desceu de um velho trem verde
Sua viajante imaginária
Linda como uma chuva no deserto.
E eles partiram os dois
Partiram como dois velhos amantes
Na suavidade de um caminho estreito
Para países um pouco mais azuis
Onde não se sabe nada dos horários.

Desde então, nessa estação de subúrbio
Tudo voltou a ser sério
E ninguém mais faz fila
Mas nos trilhos, não há mais primaveras.

Havia numa estação de subúrbio
Um pequeno chefe de estação apaixonado,
Apaixonado louco, que coisa curiosa,
Por uma viajante imaginária.

Composição: