
Escaravelhos
Astrikos Katoikos
Pelo macegal crestado de aríngeas e junquilhos
Um escaravelho conduz sua esfera de folhedo
Não se importa com cataventos, marcos, nem trilhos
Segue o rumo inscrito no cerne do arvoredo
Há resinas adormecidas na cortiça fendilhada
E micelas urdindo tramas sob a manta de caruma
A criatura perscruta a gleba empastada
Recolhendo vestígios de uma suma
Junto às ciperáceas, ao pé da velha sorveira
Descansam páleas, glumas e sementes abortadas
Tudo ingressa na jornada da couraça oleira
Na esfera feita de estações desmanteladas
Esses escaravelhos
Guardiães da serrapilheira
Monges de uma escrita sem pergaminho
Lavradores da poeira
Na marga
Na turfa
Na vareira
Empurram luas de matéria finda
Pela extensão da ladeira
A lanugem do cardo adere ao tegumento
Um odor de mastrosina paira pela várzea
Nenhum arauto proclama semelhante movimento
Nenhuma crônica registra semelhante audácia
Ritidomas revelam gomas de coloração indecisa
Drusas cintilam no seio de um barranco
O escaravelho prossegue por essa divisa
Levando um hemisfério de detritos no flanco
Esses escaravelhos
Guardiães da serrapilheira
Monges de uma escrita sem pergaminho
Lavradores da poeira
Na marga
Na turfa
Na vareira
Empurram luas de matéria finda
Pela extensão da ladeira
Quando outubro dispersa os últimos pendões
Resta sua procissão pelas leiras exauridas
Ali trafegam, sem brasões nem celebrações
Os arquivistas das matérias consumidas



Comentários
Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra
Faça parte dessa comunidade
Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Astrikos Katoikos e vá além da letra da música.
Conheça o Letras AcademyConfira nosso guia de uso para deixar comentários.
Enviar para a central de dúvidas?
Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.
Fixe este conteúdo com a aula: