
King Kong Morreu!
Astrikos Katoikos
Um mundo esquecido sem mapa nem dono
Um gorila imenso reinando em seu trono
Nenhuma plateia, nenhuma medida
Uma força que caminhava sem ser impedida
Vieram os homens com regra e vitrine
Desejo ambicioso que sequestra e define
O Deus de uma ilha virou alegoria
Um monstro colossal feito mercadoria
Um trono de pedra trocado por cela
Virou espetáculo enquanto pensava na donzela
A oitava maravilha do mundo reduzida ao olhar
Um gigante único exibido pra massa julgar
King Kong morreu!
E não foram aviões que o venceram
Foram os homens que nunca o entenderam
Não foi o grande pavor que decidiu
Foi ver beleza e não caber no que surgiu
King Kong morreu!
E não foram aviões que o venceram
Foram os homens que nunca o entenderam
Não foi o pavor que decidiu
Foi ver beleza e não caber no que surgiu
Mãos que esmagavam montanhas e vida
Aprenderam a acariciar a forma querida
Naquele encontro o mundo desabou
King Kong descobriu o que não celebrou
Um amor imenso sem forma possível
Puro demais para o plano visível
A morte não veio da esquadrilha nem da guerra
Veio do olhar raso que mede e encerra
King Kong morreu!
E não foram aviões que o venceram
Foram os homens que nunca o entenderam
Não foi o pavor que decidiu
Foi ver beleza e não caber no que surgiu
A fera olhou a face da beleza
E a beleza acalmou a fera
Desde esse dia começou a tristeza
A fera ficou à mercê da morte, o fim de sua era
King Kong morreu!
E não foram aviões que o venceram
Foram os homens que nunca o entenderam
Não foi o pavor que decidiu
Foi ver beleza e não caber no que surgiu



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