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O Diabrete do Capão

Astrikos Katoikos

Le Diablotin du Hallier

Près du bourg de Valdruna
Dans un hallier redouté
Vivait un petit diablotin
Par le mensonge habité

Oreilles de chauve-souris
Yeux d'un étrange vert-de-gris
Et dans son rire se cachait
Un mal ancien et infini

Chaque soir il se tapissait
Sous le sureau du sentier
Attendant quelque voyageur
Ou quelque bûcheron lassé

Prenez garde au diablotin
Du sauvage hallier fatal
Bien des gens l'ont recherché
Et furent fauchés par le Mal

Prenez garde au diablotin
Du sauvage hallier fatal
Bien des gens l'ont recherché
Et furent fauchés par le Mal

Tantôt fille aux cheveux d'or
Tantôt moine en vêtement noir
Tantôt grand cerf aux bois d'ambre
Fuyant les lueurs du soir

Et l'homme, rongé de curiosité
Sans soupçonner le moindre filet
S'enfonçait sous les frondaisons
Par un étroit chemin discret

Là le Malin sifflotait
Une chanson venue d'ailleurs
Et l'âme prise à son charme
Oubliait jusqu'à ses peurs

Prenez garde au diablotin
Du sauvage hallier fatal
Bien des gens l'ont recherché
Et furent fauchés par le Mal

Prenez garde au diablotin
Du sauvage hallier fatal
Bien des gens l'ont recherché
Et furent fauchés par le Mal

De vieux parchemins racontent
Dans un très ancien prieuré
Qu'il demeure encore aujourd'hui
Près du bois abandonné

Quand la brume gagne les mousses
Aux premières heures du matin
On entend encore son rire
Rouler au loin sur les chemins

Et quiconque suit sa piste
Par caprice ou vanité
Peut finir dans quelque chronique
Don't nul ne veut se rappeler

Prenez garde au diablotin
Qui se cache dans le hallier
Qui prête l'oreille à son rire
Peut voir son destin basculer

Prenez garde au diablotin
Du vieux bois abandonné
Car la forêt garde des noms
Que nul n'ose prononcer

O Diabrete do Capão

Perto da vila de Valdruna
Num capão temido
Vivía um diabrete
Habitado pelo engano

Orelhas de morcego
Olhos de um estranho verde-acinzentado
E em seu riso se escondia
Um mal antigo e infinito

Toda noite ele se escondia
Debaixo do sabugueiro da trilha
Esperando algum viajante
Ou algum lenhador cansado

Cuidado com o diabrete
Do capão selvagem e fatal
Muita gente o procurou
E foi ceifada pelo Mal

Cuidado com o diabrete
Do capão selvagem e fatal
Muita gente o procurou
E foi ceifada pelo Mal

Às vezes uma moça de cabelos dourados
Às vezes um monge de vestes negras
Às vezes um grande cervo com chifres de âmbar
Fugindo das luzes do entardecer

E o homem, consumido pela curiosidade
Sem suspeitar do menor truque
Se embrenhava sob as folhagens
Por um caminho estreito e discreto

Lá o Maligno assobiava
Uma canção vinda de outro lugar
E a alma presa ao seu encanto
Esquecia até seus medos

Cuidado com o diabrete
Do capão selvagem e fatal
Muita gente o procurou
E foi ceifada pelo Mal

Cuidado com o diabrete
Do capão selvagem e fatal
Muita gente o procurou
E foi ceifada pelo Mal

Velhos pergaminhos contam
Num muito antigo mosteiro
Que ele ainda habita hoje
Perto da mata abandonada

Quando a neblina cobre os musgos
Nas primeiras horas da manhã
Ainda se ouve seu riso
Rolar longe pelos caminhos

E quem segue sua trilha
Por capricho ou vaidade
Pode acabar em alguma crônica
Que ninguém quer lembrar

Cuidado com o diabrete
Que se esconde no capão
Quem presta atenção ao seu riso
Pode ver seu destino mudar

Cuidado com o diabrete
Da velha mata abandonada
Pois a floresta guarda nomes
Que ninguém se atreve a pronunciar

Composição: Marcelo Ribeiro Dantas