Abriu-se a grade do anfiteatro
Roma exigia sangue e diversão
O elmo pesado ocultava o semblante
O grande escudo fechava a proteção

Do lado oposto esperava um trácio
Sica recurva, olhar de predador
A areia quente recebeu os combatentes
E a turba celebrou o primeiro terror

O trácio atacou buscando a lateral
O escudo recebeu sua investida
Veio o gládio num movimento curto
Abrindo carne numa entrada conseguida

Ferido, o rival mudou a estratégia
Tentou ganhar espaço para reagir
Porém o peso daquela defesa avançava
Obrigando o adversário a recuar e resistir

Roma quer sangue na arquibancada
Quer ver o forte reduzir-se ao mortal
Uma vitória compra outra jornada
Ninguém sai livre do portão imperial

A multidão transforma dor em festa
O imperador contempla a decisão
Hoje alguém retorna vivo à cela
Outro termina estendido lá no chão

A sica encontrou a greva e desviou
O trácio abriu demais sua defesa
O escudo veio contra seu peito
Fazendo o corpo perder firmeza

Caído, procurou recuperar a arma
O gládio já impedia a reação
Milhares reclamavam o desfecho
Famintos pela última execução

O vencido aguardava de joelhos
Sabendo que a sorte vinha da tribuna
Seu sangue escurecia pela areia
Roma observava aquela desventura

Veio o sinal, cessou a resistência
O golpe final encerrou o combate
O vencedor recebeu aclamações
Indo para o cárcere depois do abate

Roma quer sangue na arquibancada
Quer ver o forte reduzir-se ao mortal
Uma vitória compra outra jornada
Ninguém sai livre do portão imperial

A multidão transforma dor em festa
O imperador contempla a decisão
Hoje alguém retorna vivo à cela
Outro termina estendido lá no chão

Murmilo deixou o campo ainda vivo
Ferido, exausto, coberto pela guerra
Atrás da grade esperava outra disputa
Pois sua vitória apenas o preserva

A fama corre pelas tavernas de Roma
Apostadores celebram o campeão
Ele conhece o preço dessa glória
Sobreviver prolonga a condenação

Roma quer sangue na arquibancada
Quer transformar agonia em festival
O vencedor retorna para a cela
Guardando a marca do combate mortal

Quando outra tarde abrir aquela arena
O mesmo homem voltará à provação
Murmilo ainda carrega o grande escudo
E Roma espera outra execução

Roma quer sangue na arquibancada
Quer ver o forte reduzir-se ao mortal
Uma vitória compra outra jornada
Ninguém sai livre do portão imperial

A multidão transforma dor em festa
O imperador contempla a decisão
Hoje alguém retorna vivo à cela
Outro termina estendido lá no chão


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