
Os Malês
Astrikos Katoikos
Nas vielas cresce um canto
Velho e novo, tenso e santo
Não há muro que contenha
A lembrança que incendeia
Vêm de longe, dos navios
Onde o tempo fez vazios
Na escrita antiga, na mão
Trouxeram mundo e negação
Sob o sono, a casa grande range
E à cidade inteira abrange
Cada sombra é companheira
Cada rua, corda e bandeira
Você e eu, sobre o asfalto quente da cidade
Guardamos os fantasmas da liberdade
Quando os mortos disserem nomes antigos
Escute com fé, são os Malês renascidos
O relógio perde o norte
A alvorada teme a sorte
Entre rezas e murmúrios
Se costuram os próprios júbilos
Sob paredes, nomes rasos
Visões antigas, passos escassos
Tudo perdura sob o nada
Tudo insiste na madrugada
No mercado, no casarío
Há sinais do velho brio
Quem escuta um idoso cansado
Ouve o grito sufocado
Você e eu, sobre o asfalto quente da cidade
Guardamos os fantasmas da liberdade
Quando os mortos disserem nomes antigos
Escute com fé, são os Malês renascidos
Você vive o mesmo instante
Que incendiou o levante
Nada morre, tudo é ciclo
Mesmo quando o mundo é mito
Eu, cidade, guardo a róta
De cada voz que foi remota
E repito, sem juízo
Os Malês são força, são aviso
Ergue o corpo, irmão vencido
Seu silêncio é seu bramido
Quando o tempo ouvir sua união
Será mais do que memória, será nação
Você e eu, sobre o asfalto quente da cidade
Guardamos os fantasmas da liberdade
Quando os mortos disserem nomes antigos
Escute com fé, são os Malês renascidos
Você e eu, sobre o asfalto quente da cidade
Guardamos os fantasmas da liberdade
Quando os mortos disserem nomes antigos
Escute com fé, são os Malês renascidos. J



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