Erra, Maya, Taygeta, Alcyone
O tempo se esquece e o real se dissolve
O corpo é prisma, o som é fronte
Viajo no éter que o nome envolve

Parto sem nexo, sem bússola e sem norte
A luz me guia por dentro da morte
Nos anéis de gás, em faixas de bruma
Há vozes de gelo e mares de espuma

Cada planeta respira em pulsar
Um olho imenso a me contemplar
A carne se abre, o ar se estende
A mente implode, o ser se entende

Erra, Maya, Taygeta, Alcyone
O tempo se esquece e o real se dissolve
O corpo é prisma, o som é fronte
Viajo no éter que o nome envolve

No campo azul das consciências líquidas
Flutuam cidades de geometrias tímidas
Esferas cantam tons de mercúrio
E a alma se verte num sonho azúreo

Sou menos eu, mais vibração
Constante do nada, pura extensão
Os sóis conversam, o frio delira
Tudo respira, tudo transpira

Erra, Maya, Taygeta, Alcyone
O tempo se esquece e o real se dissolve
O corpo é prisma, o som é fronte
Viajo no éter que o nome envolve

Cruzo cristais, rios de neônio
Portais girando em rito harmônico
Línguas de luz recitam números
Abrem espirais nos céus súcubos

Sou viajante do sem retorno
O espaço arde, o tempo é morno
Há risos de plasma, cócegas solares
Há grandes olhos feitos de pulsares

Erra, Maya, Taygeta, Alcyone
O tempo se esquece e o real se dissolve
O corpo é prisma, o som é fronte
Viajo no éter que o nome envolve

Plêiades
Querida Plêiades
Sete irmãs das Plêiades
Azul translúcido da origem
E memória de criação adormecida
No olhar das estrelas


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