La Mano de Mi Rumor
No puede ser que me vaya del todo cuando
[me muera,
que no quede ni la espera detrás de la voz
que calla.
No puede ser que solo haya ciclos de sombra
[y olvido
en este amor desmedido que se me hiergue
[en el pecho,
si hasta en el trino deshecho se salva el duelo
[del nido.
Pongo mi infancia en canciones y siento que
[se ilumina
una siesta golondrina toda duraznos pintones.
Celebro las estaciones, lloro su fugacidad.
Y al anegar de piedad la mortaja de su, gloria,
me crecen en la memoria remansos de eternidad.
Cuando, no esté, cuando el leve sobresalto
[que me ordena
se trueque en tiempo de arena conmemorado,
[en la nieve;
cuando en mis venas abreve la liturgia de la flor,
tal vez algún labrador cansado de madrugadas
sienta en sus manos aradas la mano de mi
[rumor.
A Mão do Meu Rumor
Não pode ser que eu vá embora de vez quando
[eu morrer,
que não fique nem a espera atrás da voz
que se cala.
Não pode ser que só haja ciclos de sombra
[e esquecimento
neste amor desmedido que se ergue
[no peito,
se até no trinado desfeito se salva o luto
[do ninho.
Coloco minha infância em canções e sinto que
[se ilumina
uma sesta andorinha toda de pêssegos pintados.
Celebro as estações, choro sua fugacidade.
E ao alagar de piedade a mortalha de sua glória,
me crescem na memória remansos de eternidade.
Quando eu não estiver, quando o leve sobressalto
[que me ordena
se trocar em tempo de areia comemorado,
[na neve;
quando em minhas veias abreve a liturgia da flor,
talvez algum lavrador cansado de madrugadas
sinta em suas mãos aradas a mão do meu
[rumor.
Composição: Pablo Del Cerro, Guillermo Etchebehere