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Sinos Toquem

Hugues Aufray

Cloches Sonnez

Sonne au clocher, toi le païen, pour tes cités de rêve
Sonne au clocher de nos sanctuaires, pour nos fleuves et nos grèves
Des grands fonds d'océan jusqu'au cœur des volcans
Car le temps vogue à l'envers comme un voile de mariée

Cloches sonnez, de Saint-Pierre, au vent de nos saisons
Résonnez d'une volée de fer, pour les hommes de raison
Car nos jours sont comptés pour nos champs nos cités
Et qu'un soleil noir descend sur les vaches sacrées

Cloches sonnez, de Sainte-Marthe, pour les malheureux
Cloches sonnez que tous les peuples sachent qu'il n'y a qu'un seul Dieu
Mais quand le berger s'endort sous le grand saule qui pleure
Les brebis sont dehors égarées dans la peur

Clochers sonnez
Pour l'aveugle et le sourd
Clochers sonnez
Pour l'exilé sans recours
Clochers sonnez
Pour ces quelques élus
Qui jugent pour les exclus
Quand les dés sont jetés
Cloches sonnez
Pour la fuite des heures
Pour les enfants qui pleurent
L'innocent qui meurt

Clochers sonnez, de Sainte-Catherine, et de l'aube jusqu'au soir
Cloches sonnez sur les remparts quand le lys fleurira
Mais comme l'attente est longue et rude le combat
Pour que chez nous se fondent enfin le mal et le bien

Sinos Toquem

Toquem no sino, você, pagão, por suas cidades de sonho
Toquem no sino de nossos santuários, por nossos rios e nossas praias
Dos grandes fundos do oceano até o coração dos vulcões
Pois o tempo navega ao contrário como um véu de noiva

Sinos toquem, de São Pedro, ao vento das nossas estações
Resoem com um toque de ferro, para os homens de razão
Pois nossos dias estão contados para nossos campos, nossas cidades
E que um sol negro desce sobre as vacas sagradas

Sinos toquem, de Santa Marta, para os infelizes
Sinos toquem para que todos os povos saibam que só há um Deus
Mas quando o pastor dorme sob o grande salgueiro que chora
As ovelhas estão perdidas lá fora, apavoradas

Campanários toquem
Para o cego e o surdo
Campanários toquem
Para o exilado sem saída
Campanários toquem
Para esses poucos escolhidos
Que julgam pelos excluídos
Quando os dados estão lançados
Sinos toquem
Pela fuga das horas
Pelas crianças que choram
O inocente que morre

Campanários toquem, de Santa Catarina, e da aurora até a noite
Sinos toquem sobre as muralhas quando o lírio florescer
Mas como a espera é longa e dura a luta
Para que em nossa terra finalmente se fundam o mal e o bem

Composição: Bob Dylan