Luciérnagas de Todas Las Noches
De tanto reclamar la compañía
desde mi ventana solitaria
le ha nacido a la noche una luciérnaga
que dice haber llegado de la luna
buscando una ventana iluminada.
Me advierte que ha venido no a quedarse,
regresa cuando la mañana encienda
el más ingenuo de sus resplandores,
que nunca yo le niegue mi ventana.
Y que tratemos de jugar a ser espuma,
a ser mar, a ser brisa, catalejo,
que salgamos a mirar los fuegos fatuos
y esparzamos por el campo las cenizas
de los muertos que muriendo no murieron
porque nunca se les fue la mariposa.
Me propone además que seamos
para siempre los sueños guerreros
de los tantos que duermen sonriendo
bajo ceibas de abruptos senderos,
con las manos deshechas de viaje
y que han perdido su fiel equipaje.
La luna está llamándola,
ya la mañana llega.
Ya el sol se hizo reflejos en mi almohada,
ya es tarde, demasiado, o muy temprano.
Ya tengo fuegos fatuos, tengo espuma,
ya tengo catalejos, mariposas,
ya tengo el mar y tengo compañera;
y estoy seguro que todas las noches
vendrá desde la Luna a mi ventana,
y sé que jugaremos tanto, tanto,
que no cabrá en la vida tanto canto.
Luzinhas de Todas as Noites
De tanto reclamar da companhia
pela minha janela solitária
nasceu na noite uma luzinha
que diz ter vindo da lua
procurando uma janela iluminada.
Me avisa que não veio pra ficar,
volta quando a manhã acender
o mais ingênuo dos seus brilhos,
que nunca eu negue minha janela.
E que a gente tente brincar de ser espuma,
de ser mar, de ser brisa, luneta,
que saíamos pra ver os fogos-fátuos
e espalhar pelo campo as cinzas
dos mortos que morrendo não morreram
porque nunca se foi a borboleta.
Me propõe ainda que sejamos
pra sempre os sonhos guerreiros
dos tantos que dormem sorrindo
sob ceibas de caminhos abruptos,
com as mãos desfeitas de viagem
e que perderam sua fiel bagagem.
A lua está chamando ela,
já a manhã tá chegando.
Já o sol se fez reflexos na minha almofada,
já é tarde, demais, ou muito cedo.
Já tenho fogos-fátuos, tenho espuma,
já tenho lunetas, borboletas,
já tenho o mar e tenho companhia;
e estou certo que todas as noites
virá da Lua pra minha janela,
e sei que vamos brincar tanto, tanto,
que não caberá na vida tanto canto.