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Assim Vai

Luis Eduardo Aute

Va Como Va

Esto se acaba, me dijo con voz de congoja
Al entrar por la puerta
Culos de vaso sus ojos, la lágrima a punto
Y la mirada muerta
Qué te pasa, cantautor, le pregunte
Y entregándome el diario dijo: Lee
Y leí y lloré

Un titular atacaba diciendo que ardía la vieja Lisboa
Y el catalán heterónimo disparato
Me han quemado a Pessoa
Y así va como va
Ya como va

Qué cosas dices, le dije y, mirando al espejo
Siguió con el tema
Ya no soy dos ni soy yo ni soy nadie
Ni Europa resiste a la quema
Y mirándole a las lupas le rogué
Transgaláctico no soy, explícate
Me miro, le miré
Esto se acaba, se acaba, y no hay más que aceptar

Dignamente la ruina
Arde Lisboa, Venecia se hunde y se cae
La capilla Sixtina
Y así va como va, va como va
No hay más patrón ni más ley ni más Dios ni más rey
Que el maldito dinero
Dijo, furioso, mi amigo clavando en la diana
Un disparo certera

No me tomes por idiota, pero es que
No comprendo tu discurso, confesé
Y me hablo, le escuche
Arte, poseía, belleza ¡que extrañas palabras!
¿Serán un conjuro?
Hoy cualquier cerdo es capaz de quemar el Edén
Por cobrar un seguro
Y así ya como va

Assim Vai

Isso tá acabando, me disse com voz de desespero
Ao entrar pela porta
Olhos de quem tá em choque, a lágrima quase caindo
E o olhar sem vida
O que tá pegando, cantautor, perguntei
E me entregando o jornal, disse: Lê
E eu li e chorei

Uma manchete atacava dizendo que a velha Lisboa pegava fogo
E o catalão heterônimo, uma loucura
Queimaram o Pessoa
E assim vai como vai
Já como vai

Que coisas você diz, eu falei e, olhando no espelho
Ele continuou no assunto
Já não sou dois, nem sou eu, nem sou ninguém
Nem a Europa resiste à queima
E olhando pra ele, pedi
Transgaláctico não sou, se explica
Me olhei, ele me olhou
Isso tá acabando, tá acabando, e não tem mais o que aceitar

Dignamente a ruína
Arde Lisboa, Veneza afunda e cai
A Capela Sistina
E assim vai como vai, vai como vai
Não tem mais patrão, nem lei, nem Deus, nem rei
Que o maldito dinheiro
Disse, furioso, meu amigo, cravando na diana
Um tiro certeiro

Não me leve por idiota, mas é que
Não entendo seu discurso, confessei
E ele falou, eu escutei
Arte, posse, beleza, que palavras estranhas!
Serão um feitiço?
Hoje qualquer porco é capaz de queimar o Éden
Pra ganhar um seguro
E assim já como vai

Composição: Luis Eduardo Aute