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Velhas Lembranças

Ayrthon Nenê Caetano

Letra

    Deito em baixo da figueira grande
    Pra cesta diária que virou rotina
    Vejo-me montado no cavalo mouro
    Nas lides campeiras que ainda me fascina
    Ouço lá no fundo o grito da peonada
    Encerrando a tropa para a marcação
    E o latir dos cães ainda é tão recente
    São peças que a mente prega no peão

    Os meus pensamentos já ficaram ausentes
    Não sei por que a gente teima em recordar
    O capão de mato a estrada das tropas
    Meu peito sufoca, mas torno a lembrar
    Choro de saudade do tempo antigo
    É como um castigo a me machucar
    Da gaita chorando na roda de amigos
    Do mate de estribo quando ia viajar

    Manadas de éguas e pontas de gado
    Baguais corcoveando perto do capão
    Eu firme no lombo a laçar campo afora
    Cutucando a espora de rédeas na mão
    O moirão de angico segue imponente
    Na porteira grande lá do casarão
    Eu fecho os olhos e brota em minha mente
    O mouro escarceando e só imaginação

    Puxo o ar com força embaixo da sombra
    Desta que nasceu e cresceu junto a mim
    Hoje ainda é viçosa e eu já cansado
    Espero calado o dia chegar o fim


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