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O Chamado da Cidade

Banlieue Rouge

L'appel de La Cite

C'est l'appel de la cité qui m'a un jour envoûté
Et qui m'a fait m'éloigner de la campagne où je suis né
Pour travailler à la ville, ma famille j'ai dû quitter
C'est comme ma nature tranquille qui ne tient plus que du passé

Un mariage contre-nature, entre la chair et l'acier
Parqué entre tout ces murs qui me retiennent prisonnier
Je ne sais pas c'que je fous là, c'est aussi triste que dommage
Car comme se font rares les emplois, je vis d'assurance-chômage...

Mais on s'habitue à la ville, je crois même qu'elle sécurise
C'est d'une façon subtile qu'elle exerce son emprise
On s'habitue aux boulevards qu'on fréquente le soir tard
Aux salles de jeux et aux bars, animés de toutes parts

Dans cette atmosphère enfumée, où je m'efforce d'exister
S'échangent des regards sirupeux, prescrits par des commerces douteux
Et flotte encore sous les néons l'odeur âcre de la déception
Les plaisirs interdits auront toujours un goût de perdition...

Sur les terrains vagues comme dans les ruelles humides
Partout où je divague je me heurte au vide
De la marque urbaine, de cette cité maudite
Métropole inhumaine où tout se passe trop vite

Mais je l'aime malgré tout d'un sourire complice
Cette ville de fous dont je suis un peu le fils
Car on est jamais aussi aveugle qu'on peut l'être quand tout s'écroule
Et on est jamais aussi seul qu'on peut l'être dans une foule

O Chamado da Cidade

É o chamado da cidade que um dia me encantou
E que me fez deixar o campo onde nasci
Pra trabalhar na cidade, minha família eu tive que deixar
É como se minha natureza tranquila fosse só passado

Um casamento contra a natureza, entre carne e aço
Encarcerado entre todos esses muros que me prendem
Não sei o que estou fazendo aqui, é tão triste quanto lamentável
Pois como os empregos estão escassos, vivo de seguro-desemprego...

Mas a gente se acostuma com a cidade, até acho que ela dá segurança
É de um jeito sutil que ela exerce seu domínio
A gente se acostuma com os bulevares que frequentamos até tarde
Com as casas de jogos e os bares, cheios de vida por todos os lados

Nesse clima enfumaçado, onde me esforço pra existir
Olhares melosos se trocam, prescritos por negócios duvidosos
E ainda paira sob os néons o cheiro amargo da decepção
Os prazeres proibidos sempre terão um gosto de perdição...

Nos terrenos baldios como nas vielas úmidas
Por onde eu vagueio, me deparo com o vazio
Da marca urbana, dessa cidade amaldiçoada
Metrópole desumana onde tudo acontece rápido demais

Mas eu a amo apesar de tudo, com um sorriso cúmplice
Essa cidade de loucos da qual sou um pouco filho
Pois nunca estamos tão cegos quanto podemos estar quando tudo desmorona
E nunca estamos tão sozinhos quanto podemos estar em meio à multidão

Composição: