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Eu Faço do Meu Corpo

Axel Bauer

Je fais de mon corps

Je fais de mon corps une forme qui avance
Homme de décors au cœur de faïence
Je fais de mon corps un temps insolent
Où je pose mes lèvres mes peaux de serpent

Je fais de mon corps

Sentinelle du fort, guetteur d'un désert
Je fais de mon corps une forme qui se perd
Aux maux de Pandore les années passent
Au fond de l'amphore mes rêves se cassent

Je fais de mon corps une forme dans la brume
Un souffle qui se tord au fer de l'enclume
Je fais de mon corps une forme qui se perd
Je fais de mon corps cette forme qui s'enterre

Rien ne m'arrive, aucune extase
Une lièvre sans hase

Je fais de mon corps des trajets obliques
Parcours de crabe le long des criques
Dedans et dehors une forme qui avance
Homme de décors au cœur de faïence

Je fais de mon corps une forme dans la brume
Un souffle qui se tord au fer de l'enclume
Je fais de mon corps une forme qui se perd
Je fais de mon corps cette forme qui s'enterre

Je fais de mon corps une forme qui se perd
Je fais de mon corps cette forme qui s'enterre

Rien ne m'arrive, dans cet ordinaire
Iris dans le lierre

Rien ne m'arrive, arrive

Eu Faço do Meu Corpo

Eu faço do meu corpo uma forma que avança
Homem de enfeites no coração de cerâmica
Eu faço do meu corpo um tempo insolente
Onde coloco meus lábios, minhas peles de cobra

Eu faço do meu corpo

Sentinela do forte, vigia de um deserto
Eu faço do meu corpo uma forma que se perde
Com os males de Pandora, os anos passam
No fundo da ânfora, meus sonhos se quebram

Eu faço do meu corpo uma forma na névoa
Um sopro que se torce no ferro da bigorna
Eu faço do meu corpo uma forma que se perde
Eu faço do meu corpo essa forma que se enterra

Nada acontece comigo, nenhuma êxtase
Uma lebre sem fêmea

Eu faço do meu corpo trajetos oblíquos
Caminho de caranguejo ao longo das enseadas
Dentro e fora, uma forma que avança
Homem de enfeites no coração de cerâmica

Eu faço do meu corpo uma forma na névoa
Um sopro que se torce no ferro da bigorna
Eu faço do meu corpo uma forma que se perde
Eu faço do meu corpo essa forma que se enterra

Eu faço do meu corpo uma forma que se perde
Eu faço do meu corpo essa forma que se enterra

Nada acontece comigo, nesse ordinário
Íris na hera

Nada acontece comigo, acontece

Composição: Marcel Kanche