Rotatives
Quand le soleil est sage
Il nous faut des orages
Du sang des sensations
Et des superstitions
Dans les hebdomadaires
Vivants mais légendaires
Renaissent les héros des contes de Perrault
Le monde est un spectacle
Il nous faut des miracles
Des meurtres des amants
Et des enterrements
Chantons les marionnettes
Les princes des manchettes
Que l'on anoblira grâce à la caméra
Tournez tournez rotatives
Pour les âmes sensitives
A tout coeur et à tout sang
A la prochaine je descends
Le métro chante sa chanson grise
Je n'ai pas trouvé de place assise
Il me faut pour tenir le coup
Une histoire à dormir debout
Souffrez que je présente
Une fille qui chante
Voici la cendrillon de nos microsillons
Elle n'a pas de souffle
Mais gagne une pantoufle
Qui va la remplacer, c'est le petit Poucet
Cette jeune starlette
D'un seul coup de baguette
De son impresario
A perdu son maillot
Mais le bon photographe
A corrigé la gaffe
Avant que vienne un flic
Qui presse le déclic
Tournez tournez rotatives
Pour les âmes sensitives
A tout coeur et à tout sang
A la prochaine je descends
Le métro chante sa chanson grise
Je n'ai pas trouve de place assise
Il me faut pour tenir le coup
Une histoire à mourir debout
La commère bavarde
Mais c'est Shérazade
Nous sommes tout autant
Ses lecteurs ses sultans
Qui a le vent en poupe ? c'est Riquet a la Houppe
Qui malgré sa laideur
En amour est vainqueur
C'est dans une clinique
Que la quenouille pique
La belle au bois dormant boit des médicaments
Ou bien c'est pas de chance
Elle attend la naissance
D'un rejeton royal
Pourvu qu'il soit normal
Et lorsque le sang coule
Sur les fous, sur les foules
S'il va du bon côté
Ca peut se raconter
Mais il peut faire tache
De grâce qu'on le cache
Sous la soie des papiers
Des mariages princiers
Si les sorciers nous mentent
Et si la vie augmente
Pourquoi crier : A bas Marquis de Carabas !
Puisqu'à toutes les pages
De nos revues d'images
Pour nous réconforter
Il y a ces chats bottés
Tournez tournez rotatives !
Gira, Gira, Rotativas
Quando o sol é sensato
Precisamos de tempestades
De sangue, de sensações
E de superstições
Nas revistas semanais
Vivas, mas lendárias
Renascem os heróis dos contos de Perrault
O mundo é um espetáculo
Precisamos de milagres
De mortes de amantes
E de enterros
Cantemos as marionetes
Os príncipes das manchetes
Que serão nobilitados graças à câmera
Gira, gira, rotativas
Para as almas sensíveis
Com todo coração e todo sangue
Na próxima eu desço
O metrô canta sua canção cinza
Não encontrei lugar para sentar
Preciso, para aguentar
Uma história pra dormir em pé
Permitam que eu apresente
Uma garota que canta
Aqui está a Cinderela dos nossos microfones
Ela não tem fôlego
Mas ganha um sapatinho
Que vai substituí-la, é o Pequeno Polegar
Essa jovem estrela
Com um só movimento de varinha
De seu empresário
Perdeu seu maiô
Mas o bom fotógrafo
Corrigiu a gafe
Antes que chegasse um policial
Que pressiona o clique
Gira, gira, rotativas
Para as almas sensíveis
Com todo coração e todo sangue
Na próxima eu desço
O metrô canta sua canção cinza
Não encontrei lugar para sentar
Preciso, para aguentar
Uma história pra morrer em pé
A fofoqueira fala
Mas é Sherezade
Nós somos tanto
Seus leitores, seus sultões
Quem está em alta? É Riquet, o de cabelo desgrenhado
Que apesar de sua feiura
Em amor é vencedor
É em uma clínica
Que a roca pica
A bela adormecida toma remédios
Ou é só azar
Ela espera o nascimento
De um rebento real
Tomara que seja normal
E quando o sangue escorre
Sobre os loucos, sobre as multidões
Se vai para o lado certo
Isso pode ser contado
Mas pode ser um estigma
Por favor, que escondam
Sob a seda dos papéis
Dos casamentos reais
Se os bruxos nos enganam
E se a vida aumenta
Por que gritar: Fora, Marquês de Carabas!
Já que em todas as páginas
Das nossas revistas de imagens
Para nos confortar
Temos esses gatos de botas
Gira, gira, rotativas!