La Vénus mathématique
Dans un journal à fascicules
J'ai lu en lettres majuscules
Qu'on ne peut vivre sans calcul
En ce siècle où les automates
Sont les grands rivaux des primates
Qu'on ne peut plus vivre sans maths
Comme d'ailleurs depuis toujours
Quel que soit l'homme et ses recours
On ne peut vivre sans amour
Moi qui tiens fermement à vivre
Et qui suis lucide autant qu'ivre
J'ai uni le lit et le livre
J'ai rencontré au point critique
La femme la plus érotique
Une Vénus mathématique
Vive la nouvelle Vénus mathématique !
Au bal de l'Hôtel Terminus
Je vis soudain cette Vénus
Qui embrasa mes cosinus
C'était la folle nuit du rythme
Au bras d'un jeune sybarite
Elle exhibait ses logarithmes
C'était pour moi un jour de bol
La voilà qui me carambole
D'un grand sourire en hyperbole
C'était la grande nuit du rut
Le temps de pousser un contre-ut
Je l'attaquai comme une brute
Grâce à son triangle et son pis
Aussi rond que le nombre Pi
Elle augmenta mon entropie
Vive la nouvelle Vénus mathématique !
Et moi, très vite, j'adorai
Cette enfant qui suivait de près
De toute science les progrès
Les manuels, les opuscules
Les courbes, les tests, les calculs
Lui tenaient lieu de crépuscules
Au saint nom des mathématiques
Elle appliqua ses statistiques
À nos étreintes frénétiques
Au diable les gens qui attifent
Leur passion de préservatifs
Ou de retraits intempestifs
Bientôt, nous réglâmes tous nos
Exercices abdominaux
Selon la méthode Ogino
Vive la nouvelle Vénus mathématique
Et la Vénus aux équations
Me fit goûter des sensations
D'une nouvelle dimension
Les entités humanoïdes
Aux formes hyperboloïdes
Charment les spermatozoïdes
Dans mon vieux grenier en spirale
Chaque soir, quel concert de râles
Quand je frôlais son intégrale
Elle avait uni sans histoire
La mécanique ondulatoire
Et les positions giratoires
Mes caresses venaient en troupe
Selon la théorie des groupes
Pour réunir jambes et croupes
Vive la nouvelle Vénus mathématique
Hélas, un jour, un jour funeste
Elle me fit passer un test
Qui lui démontra sans conteste
En comparant des numéros
Que j'étais un pauvre zéro
Elle prit la tangente au trot
Avec ses courbes inconnues
Dans l'espace discontinu
Elle s'en alla toute nue
Vive la nouvelle Vénus mathématique !
A Vênus Matemática
Em um jornal de fascículos
Li em letras garrafais
Que não se pode viver sem cálculo
Neste século onde os robôs
São os grandes rivais dos primatas
Não se pode mais viver sem matemática
Como aliás sempre foi
Não importa o homem e seus recursos
Não se pode viver sem amor
Eu que insisto em viver
E que sou lúcido tanto quanto bêbado
Uni a cama e o livro
Encontrei no ponto crítico
A mulher mais erótica
Uma Vênus matemática
Viva a nova Vênus matemática!
No baile do Hotel Terminus
De repente vi essa Vênus
Que incendiou meus cossenos
Era a louca noite do ritmo
No braço de um jovem sibarita
Ela exibia seus logaritmos
Foi um dia de sorte pra mim
Lá estava ela que me surpreendeu
Com um grande sorriso em hipérbole
Era a grande noite do desejo
Hora de soltar um grito
Eu a ataquei como uma fera
Graças ao seu triângulo e seu peito
Tão redondo quanto o número Pi
Ela aumentou minha entropia
Viva a nova Vênus matemática!
E eu, muito rápido, adorei
Essa menina que seguia de perto
Os avanços de toda ciência
Os manuais, os livretos
As curvas, os testes, os cálculos
Eram seu crepúsculo
Em nome das matemáticas
Ela aplicou suas estatísticas
Em nossos abraços frenéticos
Que se danem os que se preocupam
Com sua paixão por preservativos
Ou com retiradas intempestivas
Logo, ajustamos todos os nossos
Exercícios abdominais
Segundo o método Ogino
Viva a nova Vênus matemática!
E a Vênus das equações
Me fez sentir sensações
De uma nova dimensão
As entidades humanoides
Com formas hiperbólicas
Encantam os espermatozoides
No meu velho sótão em espiral
Toda noite, que concerto de gemidos
Quando eu tocava sua integral
Ela uniu sem história
A mecânica ondulatória
E as posições giratórias
Minhas carícias vinham em grupo
Segundo a teoria dos grupos
Para unir pernas e quadris
Viva a nova Vênus matemática!
Infelizmente, um dia, um dia fatídico
Ela me fez passar um teste
Que lhe mostrou sem dúvida
Comparando números
Que eu era um pobre zero
Ela tomou a tangente a galope
Com suas curvas desconhecidas
No espaço descontínuo
Ela se foi toda nua
Viva a nova Vênus matemática!