Sem Juventude
Há
Um poço sem fundo
Do qual temos
Subido
Só pra chegar
Ao chão nivelado
Agite suas pernas
Enjoativas por aí
No meio do inverno
Numa cidade sem vida
Sinais de vida
São suaves
E piscantes
Preciso de uma cama
Pra deitar meu corpo
Um peso morto pra carregar
Um pouco de estática
Me embala pra dormir
Pendure suas roupas
Num cercado de arame
Num ferro-velho, diga amém
Sua boca está cheia
De hinos sem palavras
E frases sem fim
E eles são impotentes
E esquecendo
No fundo
Segurando nada
E eles estão sem juventude
E fingindo
Com as mãos nuas
Segurando nada
Há
Um milhão de cavalos
Puxando pra baixo
Um monólito
Com essas marcas
Tão desoladas
Amarrei minha perna
A uma barricada
Com uma granada
De plástico
Eles tentaram
Transformar emoção
Em barulho
Preciso de um teleprompter
Pra minha vida
Preciso de um duto
Pra noite
Meu corpo
Não consegue ter alívio
E essa vida
Passa rápido
Você está
Pernoitando no passado
Tentando reanimar
Algo
Que você
Não consegue entender
E eles são impotentes
E esquecendo
No fundo
Dizendo nada
E ele está sem juventude
E esquecendo
Com as mãos nuas
Tocando nada
E ele é impotente
E esquecendo
No fundo
Dizendo nada
E ele está sem juventude
E fingindo
Com as mãos nuas
Segurando nada