Exibições da letra 43

Vaqueiro Valdemar

Beija-Flor e Vem-Vem

Letra

    Dorme, vaqueiro, teu sono
    Que o sono eterno é a luz
    Despertarás aboiando
    No céu lindo de Jesus

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Meu Pai eterno e divino
    Pedir inspiração vou
    Pra deixar sobre um vaqueiro
    Que o ventre puro gerou
    Campeão dos campeões
    Que o Ceará criou

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Foi ele Valdemar Pedro
    Vaqueiro bravio e humano
    Nascido em Araújo
    Lugarejo puritano
    De Rússia, do Ceará
    No sertão Jaguaribano

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Filho de Manoel Pedro
    E da esposa Maria
    Por o pai se chamar Pedro
    O nome do pai seguia
    Era por Valdemar Pedro
    Que o povo o conhecia

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Foi primeiro em segundo
    Pra ser vaqueiro nasceu
    Ninguém não o superou
    Na profissão que Deus deu
    Com sessenta e oito anos
    Valdemar Pedro morreu

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Com onze anos de idade
    Já era bom montador
    Tornou-se famoso jockey
    De cavalo corredor
    No que Valdemar montava
    Era sempre o vencedor

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Campear gado e montar
    Era o que ele queria
    Se montava em burro bravo
    Burro pulava e gemia
    Podia cair os dois
    Mas ele só não caía

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Aí tornou-se vaqueiro
    O melhor da região
    Chamavam até de quebra
    Mandinga de barbatão
    Triste do rabo do boi
    Que ele botasse a mão

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Nunca temeu a carrasco
    Madeira, toco ou regato
    Tanto era bom na pista
    Como era bom no mato
    Forte que só um leão
    E ligeiro que só um gato

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Pra pega de boi valente
    Valdemar era chamado
    No que tivesse encanto
    Por ele era encontrado
    Que Valdemar tinha faro
    Que cachorro ensinado

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Não existiu mandigueiro
    Pra ele não pôr a mão
    Muitos diziam que ele
    Tinha uma forte oração
    Só sei que Valdemar era
    Assombro na profissão

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Cavalo grande ou pequeno
    Ele sabia ajeitar
    Não sei como tinha tanto
    Jeito pra domesticar
    Que cavalo nas mãos dele
    Só não fazia falar

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Em Aracati um dia
    Valdemar foi convidado
    Pois tinha um barbatão
    Há muito tempo encantado
    Bem um mês perseguido
    Sem vaqueiro ter pegado

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Valdemar foi num cavalo
    Conhecido por Pedrês
    Maior do que um jumento
    Coisinha pouca talvez
    Ninguém dizia que aquilo
    Servisse pra pegar rês

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Quando chegou na fazenda
    Serviu de divertimento
    Vaqueiro não o conhecia
    Perguntavam num momento
    Para onde o senhor vai
    Montado nesse jumento?

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Valdemar respondeu rindo
    Ajudar pegar a rês
    O meu cavalo com esses
    Talvez que não tenha vez
    Serve ao menos pra comer
    A poeira de vocês

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Bem dez vaqueiros entraram
    No mato à disposição
    Valdemar, de vez em quando
    Apontava com a mão
    E dizia: É para cá
    Que está o barbatão

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Com pouco tempo saíram
    Em cima do mandigueiro
    Valdemar gritou: Boi é aquele
    E é ligeiro!
    E uns diziam: Como sabe
    Se é o campo primeiro?

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Valdemar botou em cima
    O Pedrês, o boi correu
    A vaqueirama só viu
    Quando a mata virou breu
    Valdemar, cavalo e boi
    Logo desapareceu

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Com meia hora depois
    Foi que chegaram pertinho
    Encontraram Valdemar
    O touro e o cavalinho
    Já tinha piado o bicho
    E mascarado sozinho

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Um segredo ou um mistério com Valdemar existia
    Touro não lhe tapeava, medo não lhe perseguia
    Conhecia o mato estranho como a roupa que vestia

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Cavalos pra pegar gado possuiu bons animais
    Caboclinho, Batatuba eram os bons dos matagais
    Pedrês, Garajau, Garoto, Asa Branca e outros mais

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Foi o melhor nadador, é um peixe pra nadar
    Também o melhor ciclista e melhor era nos dançar
    Ninguém dançou no mundo melhor do que Valdemar

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Como a morte é traiçoeira e matar é seu motivo
    Não procura quem é morto, só procura quem é vivo
    Também botou Valdemar nas páginas do seu arquivo

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    No dia vinte de junho de oitenta e sete o ano
    A morte em Valdemar jogou seu laço tirano
    Fazendo cobrir de luto o sertão Jaguaribano

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    O Ceará teve um choque, as serras se abalaram
    Rios tremeram as águas, os campos verdes murcharam
    Cavalos ficaram tristes e as boiadas desmaiaram

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Há muitos dias já vinha doente do coração
    Sob os cuidados médicos, mas não houve solução
    Que quando o coração quer, apaga qualquer cristão

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Dezenove de novembro, Valdemar adoeceu
    Melhorou e em janeiro a última carreira deu
    Chegou em casa doente e a vinte de junho morreu

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Para a esposa e filhos, a quem deu felicidade
    Irmãos, amigos, vaqueiros, os que ele amou de verdade
    Partiu e deixou pra todos a mais eterna saudade

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Deixou ainda um cavalo, perneira, chapéu, gibão
    Espora, cela e chicote que colocava nas mãos
    Como prova que foi ele vaqueiro rei do sertão

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    E assim Valdemar fez sua última partida
    Para os campos de Jesus, onde a vida é vivida
    Foi viver com Deus, deixando um adeus por toda a vida

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Que o sono eterno é a luz
    Despertarás aboiando no céu lindo de Jesus

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Que o sono eterno é a luz
    Despertarás aboiando no céu lindo de Jesus

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Que o sono eterno é a luz
    Despertarás aboiando no céu lindo de Jesus

    Dorme, vaqueiro, teu sono

    Que o sono eterno é a luz
    Despertarás aboiando no céu lindo de Jesus

    Composição: Raimundo Nonato da Silva. Essa informação está errada? Nos avise.

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