Al Gallo Que Me Cante
Haciendo malabares con esquinas y bares,
Ocupando a conciencia casi todos los lugares.
Salto de un lado a otro, reboto en las paredes,
Me siento más ligero a medida que amanece.
Le corto el pico al gallo que me cante.
To's pa la cama, que nadie se levante
Y que no se le ocurra salir al sol.
Y que no se le ocurra salir al sol
Que me cago en sus muertos, soy
El que arrastra de flor en flor
Este viento mastuerzo.
Y si el cielo está enladrillado
¿quién lo desenladrillará?
Si el horizonte es un tabique
Yo me pongo a picar
Con dos cojones, con un martillo,
Con las razones que me da el delirio,
Con la rabia que arranca a llorar,
Con las patadas de mi tempestad,
De mi tempestad...
Meando en las esquinas, comprando medicinas,
Pintando en los retretes corazones sin espinas,
Multiplicando peces, convierto el agua en vino;
Las líneas de mis manos van marcando mi camino.
Le corto el pico al gallo que me cante.
To's pa la cama,
Que nadie se levante
Y que no se le ocurra salir al sol.
Y que no se le ocurra salir al sol que me cago en sus muertos
Soy el que arrastra de flor en flor a este viento mastuerzo.
Y si el cielo está enladrillado ¿quién lo desenladrillará?
Si el horizonte es un tabique yo me pongo a picar
Con dos cojones, con un martillo,
Con las razones que me da el delirio,
Con la rabia que arranca a llorar,
Con las patadas de mi tempestad, de mi tempestad...
Y me subo a los tejados de mi loca madrugada,
Ya por fin el cielo se empieza a caer.
Colocado en mi trinchera mi escopeta es de madera,
Mi bandera es un librillo de papel.
Ao Galo Que Me Cante
Fazendo malabarismos com esquinas e bares,
Ocupando a consciência quase todos os lugares.
Pulo de um lado pro outro, reboto nas paredes,
Me sinto mais leve à medida que amanhece.
Corto o bico do galo que me cante.
Todo mundo pra cama, que ninguém se levante
E que não se lhe ocorra sair ao sol.
E que não se lhe ocorra sair ao sol
Que eu me cago nos mortos, sou
Aquele que arrasta de flor em flor
Esse vento sem vergonha.
E se o céu tá ladrilhado
Quem vai desenladrilhar?
Se o horizonte é um tabique
Eu vou começar a picar
Com dois ovos, com um martelo,
Com as razões que me dá o delírio,
Com a raiva que arranca a chorar,
Com as pancadas da minha tempestade,
Da minha tempestade...
Mijando nas esquinas, comprando remédios,
Pintando nos banheiros corações sem espinhos,
Multiplicando peixes, converto a água em vinho;
As linhas das minhas mãos vão marcando meu caminho.
Corto o bico do galo que me cante.
Todo mundo pra cama,
Que ninguém se levante
E que não se lhe ocorra sair ao sol.
E que não se lhe ocorra sair ao sol que eu me cago nos mortos
Sou aquele que arrasta de flor em flor esse vento sem vergonha.
E se o céu tá ladrilhado quem vai desenladrilhar?
Se o horizonte é um tabique eu vou começar a picar
Com dois ovos, com um martelo,
Com as razões que me dá o delírio,
Com a raiva que arranca a chorar,
Com as pancadas da minha tempestade, da minha tempestade...
E eu subo nos telhados da minha louca madrugada,
Já por fim o céu começa a cair.
Colocado na minha trincheira minha espingarda é de madeira,
Minha bandeira é um livrinho de papel.