Je suis de celles
Tiens, qu'est-ce que tu fais là ?
C'est moi, c'est Nathalie
Quoi tu me reconnais pas ?
Mais si
On était ensemble au lycée
C'est vrai, j'ai changé
J'ai des enfants, un mari
Bah quoi, t'as l'air surpris
J'étais pas destinée
A une vie bien rangée
J'étais perdue
Mon mari m'a trouvée
J'étais de celles
Qui disent jamais non
Les "Marie couche-toi là"
Dont on oublie le nom
J'étais pas la jolie
Moi, j'étais sa copine
Celle qu'on voit à peine
Qu'on appelle machine
J'avais deux ans de plus
Peut-être deux ans de trop
Et j'aimais les garçons
Peut-être un peu trop
Bien sûr, vous aviez eu
Des dizaines de conquêtes
Que personnes n'avaient vues
Toujours pendant les fêtes
Pour beaucoup d'entre vous
Je suis la première fois
De celles qui comptent
Mais pas tant que ça
Je n'étais pas de celles
A qui l'on fait la cour
Moi, j'étais de celles
Qui sont déjà d'accord
Vous veniez chez moi
Mais dès le lendemain
Vous refusiez en public
De me tenir la main
Quand vous m'embrassiez
A l'abri des regards
Je savais pourquoi
Pour pas qu'on puisse nous voir
Alors je fermais les yeux
A m'en fendre les paupières
Pendant que pour guetter
Vous les gardiez ouverts
Je me répétais :
" faut pas que je m'attache "
Vous vous pensiez :
" il faut pas que ça se sache "
Mais une fois dans mes bras
Vos murmures essoufflés
C'est à moi, rien qu'à moi
Qu'ils étaient destinés
Enlacée contre vous
A respirer vos cheveux
Je le sais, je l'affirme
Vous m'aimiez un peu
Certaines tombent amoureuses
C'est pur, ça les élève
Moi, je tombais amoureuse
Comme on tombe d'une chaise
Et gonflés de l'avoir fait
Vous donniez conférence
Une souris qu'on dissèque
Mon corps pour la science
Je nourrissais
Vos blagues de caserne
Que vous pensiez viriles
Petits hommes des cavernes
D'avoir pour moi
Un seul mot de tendresse
Vous apparaissait
Comme la pire des faiblesses
Vous les fiers à bras
Vous parliez en experts
Oubliant qu'dans mes bras
Vous faisiez moins les fiers
Et les autres filles
Perfides petites saintes
M'auraient tondue les cheveux
A une autre époque
Celles qui ont l'habitude
Qu'on les cajole
Ignorent la solitude
Que rien ne console
Vous veniez chez moi
Mais dès le lendemain
Vous refusiez en public
De me tenir la main.
Eu sou uma delas
Olha, o que você tá fazendo aqui ?
Sou eu, sou a Nathalie
O que, não me reconhece ?
Claro que sim
A gente estava junto no colégio
É verdade, eu mudei
Tenho filhos, um marido
E aí, você parece surpreso
Eu não era feita
Pra uma vida certinha
Eu estava perdida
Meu marido me encontrou
Eu era daquelas
Que nunca diz não
As "Maria vai com as outras"
Das quais esquecem o nome
Eu não era a bonita
Eu era a amiga
Aquela que mal se vê
Que chamam de máquina
Eu tinha dois anos a mais
Talvez dois anos a mais
E eu gostava dos meninos
Talvez um pouco demais
Claro, vocês tiveram
Dezenas de conquistas
Que ninguém viu
Sempre nas festas
Para muitos de vocês
Eu sou a primeira vez
Daquelas que contam
Mas não tanto assim
Eu não era daquelas
Que recebem cantadas
Eu era daquelas
Que já estava de acordo
Vocês vinham na minha casa
Mas no dia seguinte
Vocês se recusavam em público
A segurar minha mão
Quando vocês me beijavam
Longe dos olhares
Eu sabia o porquê
Pra ninguém nos ver
Então eu fechava os olhos
A ponto de rachar as pálpebras
Enquanto pra vigiar
Vocês os mantinham abertos
Eu me repetia:
"não posso me apegar"
Vocês pensavam:
"não pode se saber"
Mas uma vez nos meus braços
Seus sussurros ofegantes
Eram pra mim, só pra mim
Que estavam destinados
Envolvida em você
Respirando seu cabelo
Eu sei, eu afirmo
Você me amava um pouco
Algumas se apaixonam
É puro, as eleva
Eu me apaixonava
Como quem cai de uma cadeira
E cheios de terem feito
Vocês davam palestra
Uma ratinha que se disseca
Meu corpo pra ciência
Eu alimentava
Suas piadas de quartel
Que vocês achavam viris
Pequenos homens das cavernas
Ter por mim
Uma única palavra de carinho
Era pra vocês
Como a pior fraqueza
Vocês, os orgulhosos
Falavam como especialistas
Esquecendo que nos meus braços
Vocês eram menos orgulhosos
E as outras garotas
Pequenas santas traiçoeiras
Teriam cortado meu cabelo
Em outra época
Aquelas que estão acostumadas
A serem mimadas
Ignoram a solidão
Que nada consola
Vocês vinham na minha casa
Mas no dia seguinte
Vocês se recusavam em público
A segurar minha mão.