Cannibale
Dans les maternelles
Les néophytes, le nez aux fenêtres
Adulent les adultes
et se languissent du jour où...
Ils seront de grandes personnes
Tout comme nous : d'illustres inconnus/ Quand enfin la cloche sonne
ils se confient dans la cour
Ce qu'ils deviendront un jour.
Ne croyez pas ce qu'on vous dit
Sur nous, sur tout et sur la vie
Faites demi-tour, et vite, avant que le temps qui passe, cannibale
Ne vous dévore tout cru
Le coeur et les entrailles, les cheveux, les amygdales
Le crâne et le rectum, ça fait mal.
N'écoutez pas les hauts parleurs
Refusez de devenir majeurs
Minables, désolants, lamentables, pitoyables et miteux... mais stables
Refusez la soupe, boudez nos conseils/ Evitez coûte que coûte de grandir pareil.
Vous espérez sûrement
Sauver la veuve et l'orphelin
Devenir pilote de formule 1
Aventuriers ou magiciens.
Mais vous ramperez comme nous
Pour un petit bout de rien du tout
Evitez l'âge où tout dérape
et reculez même à quatre pattes
Déjà les années vous rattrapent !
Ne passez surtout pas votre vie à graver sur la pierre tombale
Votre ennui, vos envies : triste épitaphe somme tout banale
Vos espoir dissipés, sous terre d'ici peu
Fermez les yeux et faites le voeu de ne jamais devenir vieux.
Canibal
Na pré-escola
Os novatos, com o nariz na janela
Adoram os adultos
E anseiam pelo dia em que...
Serão grandes pessoas
Assim como nós: ilustres desconhecidos/ Quando finalmente o sino toca
Eles se confidenciam no pátio
O que se tornarão um dia.
Não acreditem no que dizem
Sobre nós, sobre tudo e sobre a vida
Virem-se, e rápido, antes que o tempo que passa, canibal
Os devore cru
O coração e as entranhas, os cabelos, as amígdalas
O crânio e o reto, isso dói.
Não ouçam os alto-falantes
Recusem-se a se tornar maiores
Miseráveis, desoladores, lamentáveis, patéticos e puídos... mas estáveis
Recusem a sopa, façam birra com nossos conselhos/ Evitem a todo custo crescer assim.
Vocês certamente esperam
Salvar a viúva e o órfão
Se tornar piloto de fórmula 1
Aventureiros ou mágicos.
Mas vocês vão rastejar como nós
Por um pedacinho de nada
Evitem a idade em que tudo desanda
E recuem até engatinhando
As anos já estão te alcançando!
Não passem a vida gravando na lápide
Seu tédio, seus desejos: triste epitáfio, tudo banal
Suas esperanças dissipadas, debaixo da terra em breve
Fechem os olhos e façam o desejo de nunca envelhecer.