395px

Maravilha

Samuele Bersani

Meraviglia

Hai resistito ai devastanti effetti
del mio passaggio e per la cronaca
ricordo l'ora e i minuti esatti
lo dico senza retorica
Purtroppo non era solo un gioco
per provocare un comportamento
ogni reazione serviva a poco
nemmeno dirsi addio
Come mi avrebbe mai dato aiuto
un'espressione dell'ottocento?
Fra le macerie del terremoto
non ero stato mai
Meraviglia
una risata con l'eco
rimbalza cadendo in piedi
il mio pensiero
rendendomi allegro
Cammino ubriaco
trascinandomi via
come un foglio spazzato
attraverso la strada
vado su per le scale
e non guardo mai giù
se mi concentro
riesco a restare in equilibrio
E mi risveglio
appiccicato a un muro
come se fossi una pubblicità
con un risvolto di muschio cresciuto
sul mio vestito in una manica
fra le macerie del terremoto
ho festeggiato il mio compleanno
nella baracca che ho fabbricato
non sono entrato mai
di questa stella che ho messo a fuoco
io sono l'unico proprietario
la uso come mio lampadario
nel buio che si fa
Meraviglia
ho stabilito il mio record
di resistenza alla vita
e stranamente
mi sento leggero
Cammino ubriaco
sotto il cavalcavia
salutando i bidoni
cresciuti sull'erba
tra il freddo dei vetri
ho pensato anche a te
i tuoi abbracci così taglienti
Barcollo spaesato
trascinandomi via
come un foglio spazzato
attraverso la strada
vado su per le scale
e non guardo mai giù
se mi concentro
riesco a restare in equilibrio
in equilibrio
in equilibrio

Maravilha

Você resistiu aos efeitos devastadores
do meu passar e, só pra constar,
lembro a hora e os minutos exatos,
digo isso sem retórica.
Infelizmente, não era só um jogo
para provocar um comportamento;
cada reação servia de pouco,
nem mesmo um adeus.
Como poderia uma expressão
do século dezenove me ajudar?
Entre os escombros do terremoto,
eu nunca estive.
Maravilha,
uma risada com eco
bate e cai de pé,
meu pensamento
me deixando alegre.
Caminho bêbado,
me arrastando,
como um papel levado
pela rua.
Subo as escadas
e nunca olho pra baixo;
se eu me concentro,
consigo me manter em equilíbrio.
E me acordo
grudado em uma parede,
como se eu fosse um outdoor
com um musgo crescendo
na minha roupa, em uma manga.
Entre os escombros do terremoto,
celebrei meu aniversário
na barraca que eu fiz;
jamais entrei
na estrela que eu foquei;
eu sou o único dono,
a uso como meu lustre
na escuridão que se forma.
Maravilha,
estabeleci meu recorde
de resistência à vida,
e estranhamente
me sinto leve.
Caminho bêbado
debaixo do viaduto,
saudando os lixos
crescidos na grama.
Entre o frio dos vidros,
pensei em você,
seus abraços tão cortantes.
Barcollo perdido,
me arrastando,
como um papel levado
pela rua.
Subo as escadas
e nunca olho pra baixo;
se eu me concentro,
consigo me manter em equilíbrio,
em equilíbrio,
em equilíbrio.

Composição: