La Bonté
J'ai marché sur ces lacs de cendres
Et je puis encore y marcher
Longtemps. Il y neige en été
Une neige grise de cendre
Et je puis y marcher longtemps
Ployant le dos sous des averses
Comme un tombereau, le ciel verse
Sur nous son lourd manteau de temps
On tient. On vieillit. On s'éprouve
On se sert de concepts usés :
Le beau et le vrai ; refuser
Le mal. On se perd. On se trouve
Chacun est à soi son viatique,
Sa lumière au loin. Chacun croit
A l'ouverture dans le toit
Chacun seul. Ou cette arche antique
Dressée aux confins de l'effroi
Nous t'aimons. La durée. Le froid
La bonté, vérité pratique
La bonté. Aimons-nous. J'ai froid.
A Bondade
Eu caminhei sobre esses lagos de cinzas
E ainda posso caminhar lá
Por muito tempo. Neva no verão
Uma neve cinza de cinzas
E ainda posso caminhar por muito tempo
Curvando as costas sob as chuvas
Como um caminhão, o céu despeja
Sobre nós seu pesado manto do tempo
A gente aguenta. A gente envelhece. A gente se prova
A gente usa conceitos desgastados:
O belo e o verdadeiro; recusar
O mal. A gente se perde. A gente se encontra
Cada um é seu próprio viático,
Sua luz lá longe. Cada um acredita
Na abertura no telhado
Cada um sozinho. Ou aquele arco antigo
Erguido nos confins do medo
Nós te amamos. A duração. O frio
A bondade, verdade prática
A bondade. Vamos nos amar. Estou com frio.