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A Chaminé

Jacques Bertin

La Cheminée

Fallait-il donc aller en soi toujours plus loin , pour rechercher sans cesse
Quelle âme, dans quel taillis de moments sublimes ou de temps perdus
Ou de riens ? Aller plus loin , oui, vers l'âme absente et sans faiblesse
Comme dans une sente descendant au cœur des paradis perdus

Es-tu donc allé assez loin ? Les malheurs aussi fanent
Et vois tes dévouements en petits tas de cendres dans la cheminée
Marcher au canon des tourments, se contenter de pauvres mannes
Avancer, avancer toujours sur les terrains du cœur, minés

Il le fallait sans doute. Il le fallait. Quelqu'un a écrit cette fable
Où on te fait jouer un rôle mais tu ne crois pas aux destinées
Et les injonctions vieilles qui nous tombent des ciels fades
Vont bien avec nos petits idéaux niais, mourant à peine nés

Tu es allé très loin dans l'amitié fervente des beaux vers
Les yeux rivés aux cadrans des amours, aux vitraux éclatés
A tout ce qui frémit sous les rosiers , l'hiver
Au bord des étangs , les osiers, les fondrières et les fonds amers

Les ombres blanches dansant sous les arbres en juin mais
Sur le tapis dans le matin, abandonnés les jouets
Et les chansons éparpillées dans l'automne , dans le grand vent
Le bel oiseau des chansons qui s'étonne et qui meurt en rêvant

Tu as tout accepté ! Soudain, la compagnie de l'âtre vide
Dans un hameau à cette heure , les formes sombrent vite
Fallait-il ? C'est comme si on t'avait choisi pour tout fermer
Toi seul et les souffrances inutiles, pas de message à porter

Ou bien ceci : que Dieu est méchant et le mal étrange
On croit voir contre un talus, loin, brûler un fagot d'ailes d' anges
Sanglantes, arrachées aux espoirs. Et nos joies
Qui les recueillera ? Croyais-tu donc atteindre aux rives de la soie ?

Il le fallait. Il le fallait. Les Amériques sont là qui dérivent
Ce n'était que nos mains ! Oh, tu ne croyais pas, bien sûr, aux lois définitives
Tous les courages, puis les serres dévastées dans le grand vent
C'est l'heure des cocktails mondains où la jolie femme grimée se rend

Puis avancer encore un peu en soi, dans la vieille peau élimée
Je crois à tout, je crois à tout. Deux feuilles tournent dans la cheminée
Puis comme le regard est attiré, l'émission finie, vers le poste éteint
L'amour trahi, tu te sens rentrer dans l'âtre obscur ou une glace sans tain

A Chaminé

Era preciso ir sempre mais fundo em si mesmo, para buscar sem parar
Que alma, em que matagal de momentos sublimes ou de tempos perdidos
Ou de nada? Ir mais longe, sim, em direção à alma ausente e sem fraqueza
Como numa trilha descendo ao coração dos paraísos perdidos

Você foi longe o suficiente? As desgraças também murcham
E veja suas devoções em pequenos montes de cinzas na chaminé
Caminhar ao som dos tormentos, se contentar com pobres migalhas
Avançar, avançar sempre nos terrenos do coração, minados

Era necessário, sem dúvida. Era necessário. Alguém escreveu essa fábula
Onde te fazem desempenhar um papel, mas você não acredita nos destinos
E as velhas imposições que nos caem dos céus sem graça
Vão bem com nossos pequenos ideais bobos, morrendo mal nascidos

Você foi muito longe na amizade fervorosa dos belos versos
Os olhos fixos nos mostradores dos amores, nos vitrais estilhaçados
A tudo que vibra sob os roseirais, no inverno
À beira dos lagoas, os salgueiros, os pântanos e os fundos amargos

As sombras brancas dançando sob as árvores em junho, mas
Sobre o tapete pela manhã, os brinquedos abandonados
E as canções espalhadas no outono, no grande vento
O belo pássaro das canções que se espanta e morre sonhando

Você aceitou tudo! De repente, a companhia da lareira vazia
Num vilarejo a essa hora, as formas afundam rápido
Era preciso? É como se tivessem te escolhido para fechar tudo
Só você e os sofrimentos inúteis, sem mensagem a carregar

Ou isso: que Deus é cruel e o mal é estranho
Acreditamos ver contra um barranco, longe, queimando um feixe de asas de anjos
Sangrentas, arrancadas das esperanças. E nossas alegrias
Quem as recolherá? Você realmente achou que chegaria às margens da seda?

Era necessário. Era necessário. As Américas estão lá, à deriva
Não eram apenas nossas mãos! Oh, você não acreditava, claro, nas leis definitivas
Todos os coragens, depois as garras devastadas no grande vento
É a hora dos coquetéis mundanos onde a bela mulher maquiada se apresenta

Então avançar mais um pouco em si mesmo, na velha pele desgastada
Eu acredito em tudo, eu acredito em tudo. Duas folhas giram na chaminé
Então, como o olhar é atraído, a transmissão termina, em direção ao aparelho desligado
O amor traído, você se sente voltar para a lareira obscura ou um espelho sem fundo

Composição: