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O Menino Que Foi Ao Vento Norte (conto Popular)

Bia Bedran

LetraSignificado

    Uma vez um menino foi fazer compras para a sua mãe e
    quando ele estava voltando para casa carregadinho de
    compras...
    - Não, não, vento! Não, ai esse vento vai me carregar!
    Socorro! Minhas compras! Adeus! Adeus!
    O vento carregou todas as compras do menino. E ele,
    muito chateado, foi lá na casa do Vento Norte
    reclamar:
    - Como é seu Vento Norte?
    Mas isso é coisa, oi, que se faça?
    O que é que eu vou dizer lá em casa pra mamãe?
    O que é que vou dizer lá em casa?
    - Ora meu filho! Eu sou o Vento. Eu tenho que ventar!
    Mas olha, em troca eu vou te dar uma toalha mágica.
    Toda a vez que você quiser comer alguma coisa você
    diz: ?Bota a mesa toalha.? E ela vai colocar coisas
    gostosas pra você. Vá menino, vá!
    O menino ficou tão feliz com o presente. Foi embora
    todo contente para mostrar para a mãe dele. Mas já
    estava escurecendo e ele teve que dormir num hotel.
    Quando ele chegou no hotel, ele testou a toalha. Então
    ele disse assim:
    - Bota a mesa toalha!
    Hum! E apareceu bolo de fubá, queijadinha, pastel de
    queixo, pastel de camarão, brigadeiro, tutu de feijão,
    gelatina com creme, mashmello, sorvete de chocolate...
    Nossa! O menino comeu tudo aquilo e foi dormir.
    O dono do hotel era ladrão. Quando ele viu aquilo...
    Ele não agüentou. Enquanto o menino dormia com a
    toalha do lado, ele foi lá e trocou a toalha por uma
    igual, mas que não era mágica.
    O menino não sabia de nada. Foi correndo avisar a mãe
    todo contente.
    - Benção, mãe! Nunca mais nós vamos passar fome aqui
    em casa! Olhe, a toalha é mágica. Foi o vento que me
    deu:
    - Bota a mesa toalha!
    Essa toalha não era mágica e o menino, danado da vida,
    foi correndo pra casa do Vento Norte reclamar:
    - Como é seu Vento Norte?
    Isso não é uma toalha mágica.
    O que é que eu vou dizer lá em casa pra mamãe?
    O que é que eu vou dizer lá em casa?
    - Ora meu filho! Eu te dei uma toalha mágica sim, mas
    já que você não tem mais a toalha eu vou te dar agora
    um carneiro mágico. Toda a vez que precisar de
    dinheiro você diz: ?Dinheiro carneiro!? e ele vai te
    dar moedas de ouro. Vá menino, vá!
    Que presente! O menino ficou maravilhado. Mas foi
    dormir naquele mesmo hotel. Quando chegou lá ele
    testou o carneiro:
    - Dinheiro meu carneiro!
    Mil moedas de ouro apareceram. O menino ficou tão
    feliz! Colocou o carneirinho pro lado e foi dormir.
    O dono do hotel quando viu aquilo... O olho cresceu
    mais ainda. Enquanto o menino dormia, ele foi lá e
    trocou o carneiro... por um igual, mas que não era
    mágico.
    O menino não sabia de nada. Foi correndo no dia
    seguinte avisar a sua mãe:
    - Benção, mãe! Que alegria! Nunca mais vai faltar
    dinheiro aqui em casa, mamãe. O carneiro é mágico.
    Olha:
    - Dinheiro carneiro!
    E o carneiro olhava assim para o menino e só dizia
    mé... mé... Dinheiro que é bom, nada!
    E o menino, danado da vida, foi lá na casa do Vento
    Norte reclamar:
    - Como é seu Vento Norte?
    Isso não é um carneiro mágico.
    O que é que eu vou dizer lá em casa pra mamãe?
    O que é que eu vou dizer lá em casa?
    - Ora menino! Estão fazendo você de bobo. Veja bem: eu
    vou te dar agora uma bengala mágica. Toda a vez que
    você precisar de ajuda você diz: ?Socorro bengala!? E
    ela vai te socorrer. Vá menino, vá!
    O menino não era bobo não. Ele foi para aquele hotel
    só para fingir que estava dormindo. Colocou a bengala
    ao lado e ficou assim esperando. Quando o dono do
    hotel foi ali, pé ante pé para trocar a bengala por
    uma que não era mágica...
    _ Socorro bengala! Dá-lhe bengala! Seu olho grande!
    Devolve tudo pra mim. A toalha, o carneiro. Vai
    bengala! Seu olho grande! Viva a bengala!
    E o dono do hotel teve que devolver tudo. O carneiro,
    a toalha e a bengala. E o menino voltou pra casa,
    feliz da vida, com seus presentes.
    E o menino voltou pra casa
    com o carneiro, a toalha
    e a bengala também.
    Feliz da vida com seus presentes
    e essa história termina bem.


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