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Fracassado

Benjamin Biolay

Raté

Raté de peu, d'un détail, d'un cheveu, d'un mot,
D'une syllabe ou deux
Raté de rien, d'un sourire, d'un soupir de trop,
D'un coup de tête hideux
Raté de peu, ni la faute à pas de chance, ni à Dieu,
Vide et peu scrupuleux
Raté de rien, du minable sublime et radieux
Un pas d'avance, un pas d'avance aux cieux.

Qu'elle est courte hélas cette vie dégueulasse
Quelle impasse
Là où je vais, viens, jamais personne ne me rejoins ,
Personne, ni rien.

Raté de peu, d'un serment, d'un sermon de trop
Et finir par sonner creux
Raté de rien, d'un litige, d'un vertige, d'un saut
Dans le vide envieux
Raté de peu, ni la faute à pas de chance, ni à Dieu,
Vide et peu scrupuleux
Raté de rien, du minable sublime, radieux
Un pas d'avance, un pas d'avance aux cieux.

Qu'elle est courte hélas cette vie dégueulasse
Quelle impasse
Presque magicien d'Oz, Raté de pas grand chose
Qu'elle est courte et rance, cette vie d'errance
Quand j'y pense
Là où je vais, viens, jamais personne ne me rejoins , personne, ni rien,
Ni rien.

Fracassado

Fracassado por pouco, por um detalhe, por um fio de cabelo, por uma palavra,
Por uma sílaba ou duas
Fracassado por nada, por um sorriso, por um suspiro a mais,
Por um golpe de cabeça horrível
Fracassado por pouco, não é culpa da sorte, nem de Deus,
Vazio e pouco escrupuloso
Fracassado por nada, do miserável sublime e radiante
Um passo à frente, um passo à frente aos céus.

Que vida curta, infelizmente, essa vida escrota
Que beco sem saída
Onde eu vou, vem, nunca ninguém me acompanha,
Ninguém, nem nada.

Fracassado por pouco, por um juramento, por um sermão a mais
E acabar soando vazio
Fracassado por nada, por um litígio, por um vertigem, por um salto
No vazio invejoso
Fracassado por pouco, não é culpa da sorte, nem de Deus,
Vazio e pouco escrupuloso
Fracassado por nada, do miserável sublime, radiante
Um passo à frente, um passo à frente aos céus.

Que vida curta, infelizmente, essa vida escrota
Que beco sem saída
Quase mágico de Oz, fracassado por pouca coisa
Que vida curta e azeda, essa vida de errância
Quando eu penso
Onde eu vou, vem, nunca ninguém me acompanha, ninguém, nem nada,
Nem nada.

Composição: Benjamin Biolay