Camila
Me diziam: Perdoa
E solta a ferida
Que se eu não fizesse
Ficava parada
Eu assentia e
Guardava silêncio
Mas por dentro não
Achava consolo
Chamam de avanço
Mas é disfarce
A vida segue e não
Apaga o que ficou
O perdão imposto
Se sente como corrente
Não limpa a ferida
Só é condena
Sou Camila, ha
E não tenho que
Perdoar, não abençoo
Lixo pra poder
Avançar
Eu declaro: Isso
Não se repete nunca mais
Meu poder não se
Compra com sermão
De paz
Que perdoar é a
Chave, que deixar ir
É crescer, mas era
Um truque pra me ver
Ceder
Essa espiritualidade
Barata e desgastada
Te pede sorrisos
Enquanto a ferida
Sangra
Me vendiam a outra
Bochecha como
Virtude, mas era um
Disfarce pra
Normalizar a cruz
Me diziam: Camila
Perdoa e serás
Feliz, como se minha
Vida fosse um
Comercial de Miss
Sou Camila, ha
E não fecho ciclos
Com ninguém, não reparto
Bênçãos a quem
Me machuca
Não preciso fazer
Yoga pra dizer
Basta, meu poder é
Mandar seu teatro pra
Cesta
Uh, uh, uh, ah
Camila não perdoa
Abusos, e daí?
O deixa ir é o
Hino oficial dos
Que querem que
Aguente seu circo
Mortal, ah
Já me cansei do
Teatro barato, oh
Não sou terapeuta
De nenhum ingrato
Não fecho capítulos
Não queimo cadernos
Melhor abro vinho
E escrevo essas
Letras
Não abençoo lixo
Pra continuar
Avançando, não chamo
Crescimento a que
Me sigam sangrando
Sou Camila, ha
E não fecho ciclos
Com ninguém, não dou
Sorrisos a quem
Me machuca, eh
Não preciso absolver
O que me feriu
Meu poder é escolher
O que eu quero, oh
Uh, uh, uh, uh
Camila decide
Uh, uh, uh, uh, ah
Camila ri
Se espera que eu
Te absolva, querido
Tenha calma: Minha glória
Não vem de limpar
Seu karma