17 de Outubro de 2025, às 13:44
Os álbuns de Rachel Chinouriri revelam uma artista em plena ascensão no cenário indie e pop britânico, que traz ao público uma sonoridade de vulnerabilidade emocional e experimentação.

Ela já foi elogiada por Adele, saiu em turnê com Sabrina Carpenter e consolidou seu nome com o disco de debut What a Devastating Turn of Events (2024), que expõe suas vivências como mulher negra navegando por um universo musical predominantemente branco.
Hoje, ela figura entre as vozes mais promissoras do Reino Unido, despontando como uma das grandes apostas de sua geração. Continue lendo e saiba tudo sobre a discografia de Rachel Chinouriri!
Antes de alcançar o reconhecimento internacional, Rachel Chinouriri construiu sua base artística de forma orgânica, quase artesanal.
Nascida em Kingston-upon-Thames, no Reino Unido, em 1º de novembro de 1998, filha de imigrantes do Zimbábue, ela cresceu entre dois mundos: o rigor de uma educação tradicional africana e o efervescente ambiente cultural londrino.
Essa dualidade, entre raízes e pertencimento, atravessa toda a sua obra e é o que torna sua trajetória singular dentro da cena indie e pop britânica.
Ainda adolescente, Rachel começou a compor para lidar com experiências de bullying e racismo sofridas na escola.
Aos 17 anos, gravava suas canções com um microfone barato no laptop da mãe, processo caseiro que deu origem ao EP Bedroom Tales (2016) — um trabalho despretensioso, porém emocionalmente honesto, que refletia uma jovem artista descobrindo sua voz.
Em 2018, após o burburinho nas plataformas digitais, Rachel começou a lançar oficialmente seus singles nas principais plataformas de streaming. Um deles mudaria sua vida: So My Darling.
Escrito ainda na adolescência, o single foi seu primeiro lançamento sob o selo Parlophone e capturou o delicado equilíbrio entre melancolia e esperança, tendo se tornado um fenômeno viral anos depois, impulsionado por vídeos emocionais no TikTok.
Pouco depois, em 2019, veio o EP Mama’s Boy, que recebeu atenção da crítica com temas como vulnerabilidade emocional, amadurecimento e os desafios de se manter fiel a si mesma enquanto mulher negra em um mercado ainda desigual.
A recepção positiva pavimentou o caminho para o miniálbum Four° In Winter (2021), um projeto mais ambicioso e coeso que ampliou seu repertório estético, consolidando a fusão entre indie, soul e pop alternativo na sonoridade de Rachel.
O single Give Me a Reason, inclusive, chegou a ser indicado ao prêmio Ivor Novello na categoria de Melhor Canção Contemporânea, colocando a cantora oficialmente no radar da crítica britânica.
Outros destaques, como Through the Eye e Darker Place, reforçavam a transição entre uma artista em formação e uma compositora plenamente consciente do próprio poder criativo.
O passo seguinte veio com o EP Better Off Without (2022), uma espécie de ponte entre a introspecção do passado e a autoconfiança que marcaria os lançamentos seguintes de Rachel Chinouriri.
As canções desse projeto abordam o desprendimento emocional, a redescoberta da autoestima e a força de seguir em frente após relações tóxicas — temas que, mais tarde, encontrariam eco em seu álbum de estreia.
Em 3 de maio de 2024, Rachel Chinouriri lançou seu primeiro álbum de estúdio, What a Devastating Turn of Events: um mergulho profundo nas dores, contradições e redescobertas que moldaram a cantora até ali.
A produção do disco explora desde guitarras distorcidas e batidas pesadas até momentos de suavidade acústica.
O álbum é dividido, simbolicamente, em duas partes: uma mais densa e sombria, que aborda temas como luto, saúde mental e solidão; e outra mais leve, com faixas que flertam com a autoaceitação e a superação, com singles como The Hills e Never Need Me.
Cada faixa funciona como um fragmento de uma narrativa maior. The Hills, por exemplo, abre espaço para guitarras que lembram o vigor melancólico de Coldplay e Daughter, enquanto Never Need Me tornou-se um dos maiores sucessos da cantora.
O ponto mais emocional do álbum é a canção What a Devastating Turn of Events, que narra o suicídio de uma prima de Rachel no Zimbábue.
Ela confronta o peso das tradições familiares e o choque cultural entre o modo como sua comunidade africana encara a morte e a forma como ela, criada em Londres, vivenciou o luto. É uma das composições mais dolorosas e sinceras de sua carreira.
A sonoridade do álbum reflete a dualidade de Rachel: há momentos de pura introspecção, como My Blood e I Hate Myself, e explosões de energia indie-pop, como Dumb Bitch Juice, em que Rachel combina humor e autocrítica de forma ácida.
Apesar dos temas pesados — suicídio, desordens alimentares, depressão, desilusões amorosas —, o álbum nunca soa sombrio demais. Rachel domina a arte de transformar dor em beleza.
É possível enxergar nas letras tanto as cicatrizes de uma mulher negra britânica quanto os sentimentos universais de perda e resiliência.
Nos momentos finais, o álbum encontra luz. As últimas faixas se tornam uma espécie de purificação, em que Rachel permite a si mesma sentir ternura e amor. É como se o ciclo de dor se encerrasse, dando lugar a uma serenidade recém-descoberta.
Após a intensidade emocional de seu álbum de estreia, Rachel Chinouriri abriu um novo capítulo com o EP Little House, lançado em abril de 2025. Com quatro faixas, o trabalho representa uma guinada de tom e uma renovação artística.
Se o álbum anterior era um retrato da dor e do autoconhecimento, Little House é sobre cura e amor — e o contraste entre os dois é o que revela a amplitude de sua sensibilidade como compositora.
O EP tem um clima leve, quase ensolarado, sem perder a profundidade lírica. A produção, mais enxuta e voltada ao pop alternativo, equilibra elementos de indie rock, sintetizadores suaves e um toque de nostalgia dos anos 2000.
O single Can We Talk About Isaac? é o coração do projeto, celebrando o amor e a vulnerabilidade sob uma perspectiva inédita. Inspirada em seu relacionamento com o parceiro Isaac, a faixa é uma ode à segurança emocional e ao afeto genuíno.
As outras faixas — 23:42, Judas (Demo) e Indigo — completam o mosaico sonoro do EP, explorando reflexões sobre intimidade, autocuidado e esperança. A leveza do repertório não é apenas estética: ela traduz o amadurecimento pessoal de Rachel.
Mais do que uma continuação, o EP funciona como um interlúdio entre ciclos criativos. É uma transição natural para os próximos lançamentos e uma amostra de que Rachel pode explorar novas direções musicais sem perder sua autenticidade.
Muito além de seus álbuns, Rachel Chinouriri mostra que veio para ficar com a repercussão de seu trabalho na mídia especializada e entre os fãs.
What a Devastating Turn of Events estreou na 17ª posição da UK Albums Chart e na 5ª posição na Scottish Albums Chart, marcando sua entrada oficial entre os nomes relevantes da nova geração da música britânica.
Pouco depois do lançamento, Rachel foi destaque no Introducing Stage do festival BBC Radio 1’s Big Weekend, em Luton, e se apresentou no Glastonbury Festival 2024, um dos palcos mais prestigiados do mundo.
No mesmo ano, foi anunciada como ato de abertura da turnê europeia Short n’ Sweet Tour, de Sabrina Carpenter, levando sua música a plateias de toda a Europa.
A crítica especializada também reconheceu a profundidade e a coesão de seu trabalho, com publicações destacando sua habilidade de equilibrar o lirismo íntimo com produções pop sofisticadas, além da honestidade emocional rara em artistas de sua idade.
No streaming, Rachel viu suas músicas ganharem tração global. So My Darling ultrapassou dezenas de milhões de reproduções e continua sendo uma das canções mais compartilhadas em playlists de indie e alternative pop.
Hoje, Rachel Chinouriri representa uma geração de artistas que desafiam rótulos e usam a vulnerabilidade como força criativa. Se o futuro é incerto, uma coisa é clara: Rachel está escrevendo seu próprio legado na história da música britânica.
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