Entre o ritmo e a poesia: um mergulho na história do rap

História da música · Por Rafaela Damasceno

29 de Julho de 2020, às 12:00

Se você curte rap, já deve saber a importância desse estilo musical para os seus intérpretes e fãs. Ao cantar, eles podem expressar seus sentimentos e opiniões em ritmo e poesia, que é o significado da sigla em inglês (rhythm and poetry). 

Além disso, eles também usam sua música para defender os seus ideais mais profundos, com trechos super impactantes. É por isso que muita gente se identifica com o rap e o estilo se populariza cada dia mais. 

Desde a década de 1970, vários artistas se dedicaram a essa vertente do hip hop, principalmente nos Estados Unidos. Mas ela surgiu cerca de dez anos antes, em solo jamaicano.

Ficou curioso para saber as origens do estilo? Conheça agora a história do rap! 

A história do rap

O que era apenas uma nova forma de fazer som em bailes acabou se tornando um instrumento de importantes discussões sociais. 

Na sua origem, esse estilo já trazia consigo o teor de luta e de resistência, que mostra cada vez mais a sua força na atualidade, mas é importante saber a origem disso.

Tudo começou em terras jamaicanas 

Na Jamaica da década de 1960, grupos de músicos se reuniam em festas nas ruas do país, mais precisamente nos guetos. Esses encontros foram impulsionados pelo surgimento de equipamentos sonoros capazes de amplificar o som. 

Com esses amplificadores, as pessoas conseguiam organizar as festas ao ar livre, nas ruas, onde qualquer um podia curtir. Dessa forma, o caráter democrático do rap já se mostrava presente e essencial desde a sua criação. 

história do rap
Créditos: Divulgação

Os líderes desses eventos eram uma espécie de DJ, mais conhecidos como toasters. Eles animavam a galera com palavras rimadas e uma base de reggae ao fundo. No início, os temas eram festas e diversão, sem muito compromisso.  

Mas, com o tempo, os toasters começaram a abordar questões polêmicas com viés político e social. Quem se sentia à vontade, podia rebatê-las com outros versos. 

Essas rimas podiam ser cantadas à capela ou acompanhadas de uma melodia, característica do estilo musical que permanece forte até hoje. 

Também nesse período, apareceu o beatbox, que é uma forma de reproduzir efeitos sonoros com a boca. Assim, os rappers não precisavam de um equipamento para compôr, bastava que um deles dominasse essa técnica para acompanhar a letra. 

Como o rap chegou nos EUA

Com a crise socioeconômica enfrentada pelos jamaicanos em 1970, muitos deles migraram para os Estados Unidos. Na bagagem, levaram os seus costumes, os seus ideais e, é claro, a sua expressão artística.

A poesia ritmada e os novos equipamentos de som causaram alvoroço entre os norte americanos. Quase que imediatamente, muitos deles foram influenciados e começaram a produzir canções nesse estilo. 

Um dos principais nomes responsáveis por levar o rap para a América foi o DJ Kool Herc. Ele inseriu, nos guetos de Nova York, todos esses elementos marcantes.

DJ Kool Herc
DJ Kool Herc / Créditos: Divulgação

Rapidamente, as letras que retratavam o sofrimento das classes mais oprimidas começaram a fazer sucesso nos bairros suburbanos dos EUA. O povo se identificou de cara com as mensagens transmitidas pelas composições.

Logo, ao ritmo de origem jamaicana, foram introduzidas as reivindicações do povo americano e as gírias dos guetos. O estilo também foi integrado ao hip hop, aos grafites e às coreografias, já característicos dessas regiões. 

A popularização do estilo

A partir de 1980, os jovens estadunidenses já não estavam tão empolgados com a disco music, que teve muito destaque nos anos anteriores. Para variar o cenário musical e agradar a galera, os MCs começaram a fazer uma mistura de vários estilos.

Essa mistura era acompanhada por um discurso engajado, cheio de significado para o público. Na maioria deles, também eram criadas mensagens de oposição ao governo e de luta pelos direitos da população menos favorecida. 

Hoje, essa mixagem de sons é chamada de sample, em que trechos de canções já existentes são combinadas a outras. Com essa nova formatação, o rap passou a agradar não só os guetos, mas outras regiões das grandes cidades.

Com a música Rapper’s Delight, da banda The Sugarhill Gang, o rap se espalhou pelos Estados Unidos, e o que era um som de protesto acabou se tornando uma verdadeira febre nacional. 

Sucesso e reconhecimento até hoje

Desde aquela época e até hoje, inúmeros artistas se destacaram como rappers. Muitos nomes são emblemáticos, como NWA, Snoop Dogg, LL Cool J e Tupac.

Várias vertentes foram surgindo ao longo dos anos. Podemos citar as mais famosas, como o freestyle, que é mais livre e improvisado, sem muita preocupação com a temática, e o gangsta rap, com letras mais duras e violentas, de forte conotação política. 

O rap no Brasil

Sob a influência do grupo americano Public Enemy, no final dos anos 1980, o rap surgiu no Brasil. A primeira música lançada nesse estilo foi Kátia Flávia, composta por Fausto Fawcett e Laufer. 

Com os músicos do Racionais MC’s e do DMN, o estilo se popularizou entre os brasileiros. Aqui, o estilo também é chamado de “poesia das ruas” e se mistura com outros, como o rock, o funk e o maracatu. 

Além da sua importância musical, ele também tem relevância social. Os rappers do nosso país inspiram e incentivam os jovens das favelas e das periferias a se afastar da criminalidade, com mensagens marcantes de luta e superação.

Atualmente, vários artistas brasileiros têm se destacado no rap. Ao lado dos grupos mais consagrados, alguns nomes estão fazendo a cabeça de quem curte esse tipo de música, como Criolo, Projota, Haikaiss, Emicida, Cynthia Luz, Tássia Reis e muito mais.

Rappers consagrados 

Agora que você já conheceu os detalhes sobre a história e compreendeu a importância desse estilo musical, chegou a hora de conhecer os maiores nomes do rap internacional.

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