17 de Dezembro de 2024, às 18:13
A história da música Million Years Ago, de Adele, pode inspirar muitos fãs mundo afora graças à sua melodia melancólica combinada à uma letra inspirada, com um belo toque de nostalgia. Mas sabia que a canção está envolvida em uma grande polêmica?
A música, lançada no terceiro álbum de estúdio da cantora britânica, tem uma relação inusitada com o Brasil: a faixa voltou a chamar a atenção quase 10 anos depois do lançamento após ter sido acusada de plágio pelo compositor mineiro Toninho Geraes.

Vem conhecer um pouco mais sobre esse sucesso da discografia de Adele e as curiosidades em torno da composição!
Lançada em 2015, no álbum 25, Million Years Ago está entre as faixas mais introspectivas e emocionalmente carregadas de Adele.
Escrita pela artista em parceria com o produtor Greg Kurstin, a canção é uma melodia acústica marcada pela simplicidade do acompanhamento de violão, que fez sucesso em diversas paradas internacionais, como Austrália, Alemanha e Estados Unidos.
Liricamente, a canção reflete as mudanças que a fama trouxe para a vida de Adele, especialmente em como impactou suas relações e perspectivas pessoais.
De acordo com a cantora, a inspiração veio de uma viagem nostálgica ao passado, enquanto ela dirigia pelo bairro em que viveu boa parte da juventude, no sul de Londres.
Inundada por memórias de sua infância e adolescência, tempos em que sua vida era mais simples e descomplicada, a artista escreveu uma narrativa sincera sobre a desconexão que a fama pode causar, além do sentimento de saudade daquele período.
Além de refletir sobre a infância e juventude de Adele, Million Years Ago carrega uma forte influência do icônico cantor francês Charles Aznavour. A melodia despertou comparações imediatas com Hier Encore (Yesterday Again), lançada por Aznavour em 1964.
Além da melodia semelhante, ambas as músicas exploram a melancolia da passagem do tempo e a nostalgia que surge ao revisitar o passado.
Todavia, apesar das semelhanças, Adele nunca se pronunciou oficialmente sobre as acusações, embora tenha sempre sido transparente ao reconhecer Aznavour como uma inspiração importante em sua trajetória musical.
O estilo de Million Years Ago resgata elementos da chanson française, gênero conhecido por suas melodias emotivas e letras introspectivas. Essa influência pode ser percebida no tom melancólico e na simplicidade instrumental, que remetem ao trabalho de Aznavour.
Para Adele, a música também reflete a admiração por artistas que marcaram sua formação, como Dusty Springfield, que interpretou um cover de Yesterday When I Was Young, versão inglesa de Hier Encore, em 1972.
A letra de Million Years Ago é uma reflexão sobre a passagem do tempo. Adele expressa um sentimento de perda e saudade por uma época mais simples, quando a juventude era marcada por liberdade e despreocupação, desde as primeiras linhas da música.
I only wanted to have fun
Eu só queria me divertir
Learning to fly, learning to run
Aprender a voar, aprender a correr
I let my heart decide the way
Eu deixei meu coração decidir o caminho
When I was young
Quando eu era jovem
O trecho acima remete à inocência e ao espírito explorador da infância, um contraste direto com a complexidade da vida adulta que a artista enfrenta agora.
Ao longo da canção, a narrativa assume um tom de arrependimento e introspecção, à medida que Adele reconhece as consequências de suas escolhas e as mudanças que a fama trouxe.
Deep down I must have always known
No fundo, eu provavelmente sempre soube
That this would be inevitable
Que isso seria inevitável
To earn my stripes I’d have to pay
Para ser melhor, eu teria que pagar
And bear my soul
E carregar minha alma
Na sequência, a cantora revela o peso da desconexão com seu passado, sentindo falta de amigos, da mãe e até mesmo de pequenas experiências cotidianas, que parecem pertencer a outra era.
I miss the air, I miss my friends
Sinto falta do ar, dos meus amigos
I miss my mother; I miss it when
Sinto falta da minha mãe, sinto falta de quando
Life was a party to be thrown
A vida era uma festa a ser feita
But that was a million years ago
Mas isso foi a milhões de anos atrás
O segundo verso de Million Years Ago aprofunda a ideia de estranhamento com seu antigo eu e com aqueles que faziam parte de sua vida.
Os versos refletem a solidão que pode surgir quando o sucesso cria barreiras emocionais com o passado.
When I walk around all of the streets
Quando ando por todas as ruas
Where I grew up and found my feet
Em que cresci e encontrei meus pés
They can’t look me in the eye
Eles não podem me olhar nos olhos
It’s like they’re scared of me
É como se tivessem medo de mim
As ruas de sua infância, antes familiares, agora parecem estranhas e as pessoas a evitam. Essa sensação de isolamento e a incapacidade de reconectar-se com o passado são temas recorrentes na letra.
A música continua com uma meditação sobre como o tempo e as circunstâncias moldam quem somos, trazendo nostalgia, arrependimento e um desejo de reconexão com o que ficou para trás.
Sem dúvidas, a letra ecoa um sentimento universal de como a vida, ao avançar, nos distancia das coisas e pessoas que um dia foram centrais, criando uma ponte emocional entre Adele e seus ouvintes.
Uma controvérsia envolvendo Million Years Ago e a canção Mulheres, de Toninho Geraes — imortalizada na voz de Martinho da Vila —, trouxe à tona debates importantes sobre direitos autorais e propriedade intelectual no final de 2024.
O compositor mineiro acusa Adele e o produtor Greg Kurstin de plagiar grande parte da melodia de sua música em uma das faixas mais introspectivas do álbum 25.
Após análises periciais, a Justiça brasileira determinou que a reprodução e comercialização da música estão proibidas no Brasil sem a autorização de Geraes, sob pena de multa de R$ 50 mil.
Além disso, o compositor solicita uma indenização de R$ 1 milhão, incluindo correções monetárias e juros, bem como o reconhecimento de sua coautoria na obra de Adele.
A decisão judicial inicial representa um marco para a proteção de obras brasileiras no cenário internacional, com reconhecimento e respeito às produções musicais nacionais. O processo ainda está em tramitação e cabe recurso.
Em defesa, a gravadora Universal Music argumentou que tanto a música de Adele quanto a de Martinho da Vila utilizam um “clichê musical”, o que não tecnicamente não pode configurar violação de direitos autorais.
Million Years Ago, de Adele, entrou para a história por conta das acusações de plágio, mas não é o único caso de grandes artistas envolvidos nesse tipo de polêmica.
Relembre os mais famosos plágios da música com canções que foram além da inspiração!

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