15 de Novembro de 2022, às 12:00
O novo álbum do Djonga, O Dono do Lugar, já chegou às principais plataformas de streaming e está dando o que falar entre os admiradores do rapper mineiro.
Com uma sonoridade mais robusta e letras que mostram a maturidade e a intransigência pelas quais Djonga é conhecido, o disco marca o retorno do rapper aos estúdios e está cheio de hits em potencial.

Sucessor do bem-sucedido Nu, O Dono do Lugar traz parcerias importantes com Tasha & Tracie, Vulgo FK, Oruam e Sarah Guedes, além do toque de ouro de produtores do calibre de Coyote Beatz, Dallas, Honaiser e Rapaz do Dread.
Nas letras do novo álbum, referências históricas e culturais (até Dom Quixote é citado) e letras que refletem sobre males contemporâneos, como a homofobia, o racismo, o machismo e o lugar da pessoa preta no mundo.
Vem conferir a análise completa que fizemos do novo disco de Djonga!
A maturidade musical está mais forte do que nunca na obra de Djonga, especialmente após o lançamento do esperado O Dono do Lugar.
Se nos cinco primeiros álbuns de estúdio o rapper mineiro manteve a tradição de lançar o disco no dia 13 de março, o sexto foi lançado ainda num dia 13, mas em outubro: uma estratégia para desenvolver mais o trabalho sem abrir mão totalmente da superstição.

Com fortes influências de trap, rap e funk, o disco foi lançado pelo selo próprio do músico de Belo Horizonte, A Quadrilha, e foi inspirado nos delírios combativos de Dom Quixote de la Mancha, icônico personagem de Miguel de Cervantes.
Djonga chegou a viajar para Consuegra, na Espanha, para conhecer os cenários que inspiraram a criação do personagem Dom Quixote: tudo para montar um paralelo entre os duelos com os moinhos gigantes e a luta contra o racismo na vida do homem negro.
A divulgação foi monumental. Considerado um dos melhores rappers do Brasil, o músico preparou uma intervenção artística em plena Praça Sete, no centro de BH, e até estrelou um grande outdoor na Times Square, em Nova York, para celebrar o lançamento.

Algumas músicas se destacam na discografia do músico mineiro: a cor púrpura e dom quixote, por exemplo, resgatam com excelência a dor visceral de um homem preto em meio a um universo regido pelo racismo estrutural.
Conheça as faixas na análise de O Dono do Lugar, novo álbum de Djonga!
Em tôbem, Djonga abre o álbum O Dono do Lugar falando de suas conquistas pessoais, os problemas da indústria da música e o drama do racismo estrutural. Eu multiplico, eu dobro o lucro, eu invisto, e aí? E eu tô bem, ostenta o rapper.
A segunda faixa do disco, dom quixote, compara o cavaleiro de la Mancha e seus delírios bélicos à eterna luta do homem negro por um lugar de respeito na sociedade: uma reflexão sobre o racismo estrutural embutido na sociedade contemporânea.
Em parceria com Vulgo FK, Djonga entrega um tom mais leve ao falar de relacionamentos na faixa contatin.
Djonga faz um aceno ao funk ostentação paulista, apontando suas conquistas na vida, em bala fini: Mesmos pés, novos tênis. Outro bolso, mesmos manos, canta o rapper enquanto relembra os desafios enfrentados antes de consolidar a carreira.
Na faixa em quase tudo, as ácidas críticas de Djonga a Jair Bolsonaro surgem mais evidentes, em uma reflexão sobre padrões de masculinidade tóxica. Ele assume a voz de um homem racista, machista e homofóbico para falar sobre a repetição desses padrões.
O cidadão de bem é a origem do mal
Vê bem quem é o santo no seu pedestal
Recebendo mensagens no seu Nextel
De esquema indevido e falando de moral
Na sexta canção de O Dono do Lugar, Djonga discursa sobre os diferentes pontos de vista entre brancos e negros. O cantor lamenta a ausência de privilégios às pessoas racializadas e se indigna na letra de conversa com uma menina branca.
O pobre que virou rico e continua sendo tratado como pobre é o tema de bode, mais uma canção que critica o racismo e a desigualdade na indústria da música.
Parceria do rapper com a cantora Sarah Guedes, penumbra é quase um aceno a outro grande nome da música mineira dos últimos tempos: a banda Lagum.
Melhor faixa de Djonga em O Dono do Lugar, a cor púrpura se distancia da celebração das conquistas pessoais do artista e conta a história de diferentes personagens pretos sob o viés do toque, incluindo o abuso e a violência policial.
A esperada colaboração com o duo Tasha e Tracie é consolidada em até sua alma, canção na qual Djonga critica a superficialidade da sociedade atual: Meu jeito de vencer esse jogo foi a excelência, já que a minha beleza excêntrica só vale na cama.
A realidade das favelas é a tônica de do menor, canção na qual o rapper lança luz sobre o aumento da violência policial e o racismo estrutural por meio de comparações entre a vida no crime e a carreira na música.
Escapando definitivamente de qualquer falsa modéstia, Djonga canta em giz que o pouco que sabe que é bom, já fez “mó barulho” e sua “aula é o show”. Uma autocrítica nem um pouco velada de um rapper que sabe de sua importância para a música nacional.
Gostou da análise do álbum O Dono do Lugar, do Djonga? Você vai gostar ainda mais de mergulhar na vida e obra de um dos melhores rappers da história brasileira.
O cantor e compositor se tornou famoso pelas letras fortes, politizadas e cheias de autocrítica, sempre com beats contagiantes e uma inegável energia urbana que remonta à juventude do músico no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte.
Aproveita e vem conferir as melhores frases do Djonga para compartilhar nas redes sociais! Você vai encontrar trechos que se encaixam em diferentes cenários e podem até render uma “indireta” pro seu crush!





Curta as suas músicas sem interrupções
Pague uma vez e use por um ano inteiro
R$ /ano
Use o Letras sem anúncios.
R$ /ano
Benefícios Premium + aulas de idiomas com música.
Já é assinante? Faça login.