Puterrier: conheça o fenômeno do grime e funk que está dominando o Brasil

Criado em Del Castilho, Rio de Janeiro, Puterrier iniciou sua carreira no trap antes de encontrar sua verdadeira identidade no funk e na experimentação de gêneros. Conheça a biografia do cantor!

Biografias · Por Ana Paula Marques

1 de Outubro de 2025, às 13:33


Você sabe quem é Puterrier? Uma das grandes revelações na cena da música urbana brasileira, o artista tem crescido em velocidade astronômica com sua mistura inovadora do grime com a energia do funk, criando um estilo inconfundível.

Puterrier
Reprodução/Instagram

Foi no TikTok que ele explodiu com o hit Putaria 2000, que virou trilha oficial de milhares de vídeos e colocou seu nome no radar nacional. Desde então, ele mostra que não é só mais um fenômeno passageiro, mas alguém que sabe transformar autenticidade em movimento.

Agora, com milhões de plays acumulados e parcerias estreladas, Puterrier se prepara para dar passos ainda maiores e conquistar de vez todo o Brasil. Continue lendo para saber tudo sobre o artista, de Del Castilho para o mundo.

Quem é Puterrier: o artista carioca que mistura funk, grime e “atabagrime”

Puterrier é o nome artístico de Victor Mitoso, nascido e criado em Del Castilho, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. A vida no subúrbio carioca moldou sua visão de mundo e influenciou a forma como ele se relaciona com a música.

Mais tarde, ao se mudar para a Barra da Tijuca, manteve o costume de visitar sua região de origem, observando de perto como os espaços, as pessoas e a cultura continuaram a se transformar. Esse vínculo com a Zona Norte se tornou parte essencial da sua identidade.

Ainda adolescente, Victor começou a experimentar com gravações caseiras e a se aventurar em pequenos estúdios, sempre com a ideia de que a música seria seu caminho.

A primeira fase da carreira foi dominada pelo trap, gênero que estava em alta entre jovens artistas da sua geração. Nessa época, adotou diferentes “vulgos” antes de se decidir por Puterrier, em busca de um nome que transmitisse com mais clareza sua personalidade.

Apesar da dedicação, o trap exigia uma postura que não dialogava com sua essência. Extrovertido e de sorriso fácil, ele percebia que o estereótipo de “marra” que o estilo pedia não o representava por completo.

Quem é Puterrier: a autodescoberta no funk

A virada aconteceu quando passou a frequentar bailes nas madrugadas cariocas. Foi nesse ambiente que percebeu que o funk, mais do que um ritmo, era um espaço de liberdade para expressar quem ele realmente era.

A decisão de largar a escola cedo e viver intensamente a rua fez parte desse processo de se jogar de cabeça na música.

Aos poucos, as letras, os flows e a atitude de Puterrier foram surgindo de forma natural, conectando sua vivência com a sonoridade pulsante do gênero.

O “pai” do atabagrime

Desde o começo, o artista percebeu a oportunidade de promover uma fusão de estilos para criar seu próprio som. Do trap, ele trouxe a cadência e as rimas rápidas; do grime, a crueza e a intensidade; e do funk, a malícia e o balanço que tornam suas faixas irresistíveis.

Hoje, a sonoridade de Puterrier é definida por um conceito que ele mesmo batizou de “atabagrime”.

O termo define a fusão do grime britânico, um estilo de batidas pesadas e flows acelerados nascido nos guetos de Londres, com o funk carioca, enraizado nas batidas de atabaque e na vivência das comunidades do Rio de Janeiro.

Para completar a equação, elementos do drill também foram incorporados por sua estética sonora, trazendo uma atmosfera agressiva que contrasta com a malícia e a ginga do funk.

O atabagrime funciona como um manifesto artístico. Puterrier traduz sua própria vivência em beats e rimas, colocando a rua, a cultura popular e a energia dos bailes dentro de um diálogo global: o suficiente para dar identidade sem perder a essência carioca.

Uma discografia tão jovem quanto diversa

O álbum Atabagrime (2022) é a síntese dessa mistura, com faixas como PUTERRIER e Dando Ritmo, que escancaram a proposta de fundir a batida orgânica dos bailes com o peso das produções eletrônicas britânicas.

Já em Putaria 2000, que se tornou viral no TikTok, a fórmula alcançou seu auge: um som direto, com refrão viciante, flow afiado e batida que transita entre o baile e a pista global.

Outro destaque é a colaboração com FBC em Muita Coisa, hit que reforça a habilidade de Puterrier em dialogar com diferentes nomes da cena e consolidar seu estilo sem abrir mão da autenticidade.

Mais recentemente, singles como Garoto Problema e Faz O Esquenta deram continuidade a essa estética, explorando nuances diferentes do atabagrime no lirismo debochado, no gingado festivo ou na agressividade das rimas.

Muito além do som, Puterrier também brilha em vídeo: seus videoclipes reforçam a estética que ele propõe, com cores vivas, cenários urbanos e performances que mesclam espontaneidade e cuidado estético.

Conhecido pelas produções visuais impactantes, ele transforma cada lançamento em uma experiência audiovisual completa, ampliando o alcance da sua música e reforçando a identidade do projeto.

Nova gravadora, selo e evolução profissional

A carreira de Puterrier ganhou um novo capítulo em novembro de 2024, quando o artista foi anunciado como integrante da Mainstreet Records, uma das maiores gravadoras de música urbana do país.

O anúncio não foi discreto: ele foi apresentado durante o Mainstreet Festival, que reuniu cerca de 40 mil pessoas na Apoteose, no Rio de Janeiro, em um evento que já entrou para a história da cena.

A entrada de Puterrier na Mainstreet foi estratégica. A gravadora lançou um selo dedicado exclusivamente ao funk, reconhecendo a força do gênero e abrindo espaço para artistas que experimentam novas fusões sonoras.

Ainda que o sonho de lançar um selo próprio continue vivo, sua presença em uma gravadora desse porte oferece não apenas estrutura, mas também projeção para festivais e eventos de grande porte.

O lançamento de Joga y Joga simboliza essa nova fase, com um som moderno, distribuição massiva e clipe lançado simultaneamente nas plataformas.

Embora ainda não tenha participação confirmada em festivais internacionais ou grandes turnês nacionais, a expectativa é de que essa fase com a Mainstreet abra portas. Afinal, o artista já reúne repertório, público e autenticidade para ocupar line-ups relevantes.

Um ídolo pronto para as redes sociais

Não restam dúvidas sobre quem é Puterrier na música urbana brasileira, e muito disso se deve ao impacto das redes sociais. No TikTok, seus vídeos frequentemente ultrapassam milhões de visualizações, com humor, crítica social e momentos de pura irreverência.

Hoje, são mais de 1,2 milhão de seguidores no TikTok, cerca de 850 mil no Instagram e mais de 300 mil no Twitter. No Spotify, ele mantém média superior a 1,1 milhão de ouvintes mensais, enquanto no YouTube acumula mais de 50 milhões de visualizações.

Além disso, apesar do alcance digital, Puterrier nunca perdeu de vista suas raízes. A presença constante nos bailes, em festas universitárias e eventos de rua mantém forte a conexão com as comunidades que ajudaram a moldar seu som.

O conteúdo lírico também reforça sua relevância cultural. Muitas músicas trazem uma combinação de festa e reflexão, com versos que abordam questões sociais, identidade cultural e resistência.

Em entrevistas e nas próprias redes, Puterrier não foge do debate: já rebateu críticas preconceituosas ao incluir pessoas LGBTQIAPN+ e mulheres fora do padrão em seus clipes, defendendo uma estética diversa e representativa.

Hoje, ele é voz ativa em discussões sobre pertencimento, autenticidade e liberdade artística, consolidando seu lugar de destaque no imaginário de uma geração que enxerga nele um reflexo das próprias vivências.


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