1 de Novembro de 2025, às 12:00
Se você ainda não sabe quem é Gaby Amarantos, isso está prestes a mudar. Poucos artistas representam tão bem a alma musical da Amazônia quanto a cantora, compositora e referência do tecnobrega, que fez do som das periferias de Belém um fenômeno nacional.

Conhecida por fundir ritmo, cor e identidade, ela mostrou que é possível valorizar as raízes paraenses e, ao mesmo tempo, dialogar com o mundo, desde o sucesso com o grupo TecnoShow aos palcos internacionais em sua brilhante carreira solo.
Neste texto, você vai descobrir tudo sobre a artista, da infância em Belém à consolidação como uma das maiores cantoras do Norte do país, além de explorar seus projetos recentes e transformações pessoais. Boa leitura!
A resposta para a pergunta “quem é Gaby Amarantos” começa em 1º de agosto de 1978, no bairro de Jurunas, na periferia de Belém (PA), onde nasceu Gabriela Amaral dos Santos.
O nome artístico que a coroou como rainha do tecnobrega carrega um toque de criatividade e identidade: é resultado da junção dos sobrenomes Amaral e Santos, formando o simbólico Amarantos.
O interesse pela música começou cedo, ainda na infância, quando Gaby começou a cantar no coral da igreja católica que frequentava. Aos 18 anos, recebeu autorização da família para cantar clássicos da MPB em bares da capital paraense.
Ela cresceu ouvindo samba, carimbó, guitarrada e brega, absorvendo o ritmo das “aparelhagens”, festas populares que tomam conta das ruas de Belém com luzes, DJs e sons potentes.
Além das referências regionais, também se inspirou em nomes como Clara Nunes, Ella Fitzgerald e Billie Holiday, misturando raízes amazônicas com a força do soul e do jazz.
O bairro de Jurunas, onde tudo “toca ao mesmo tempo”, como ela mesma costuma dizer, foi o ponto de partida para uma trajetória que levaria o tecnobrega, um gênero nascido nas periferias, a conquistar o Brasil e o mundo.
O primeiro grande passo da carreira veio em 2002, quando Gaby fundou a banda Tecno Show. O grupo apresentava uma proposta inovadora: unir o eletromelody e os ritmos regionais, como a guitarrada e o carimbó, criando um som autenticamente paraense.
Em pouco tempo, o Tecno Show se tornou um fenômeno. O primeiro CD, lançado em 2003, trazia sucessos como Gemendo e Não Vou Te Deixar, que dominaram as rádios do Norte e impulsionaram o grupo para o reconhecimento nacional.
Um dos marcos dessa fase foi a primeira aparição no programa Domingão do Faustão, em que o público brasileiro conheceu a potência de Gaby e seu estilo inconfundível.
Gaby sempre chamou a atenção pelo visual, com direito a sapatos altíssimos com luzes de LED, brincos grandes, cores intensas, cílios postiços e apliques chamativos. Sua imagem expressa o que sua música transmite: alegria e uma celebração da cultura da Amazônia.
O grupo lançou novos trabalhos, como o álbum Reacendendo a Chama (2004) e um DVD ao vivo em 2005. Ao todo, a banda chegou a vender mais de 100 mil cópias, um feito expressivo para a cena independente da época.
Em 2009, durante a gestação de seu único filho Davi, Gaby decidiu encerrar o ciclo com a banda Tecno Show e iniciar uma carreira solo.
A maternidade trouxe um novo olhar sobre a vida e a música, e ela passou a investir em um projeto que refletisse sua identidade de forma ainda mais autêntica.
O reconhecimento nacional veio logo em seguida, com o lançamento da música Hoje Eu Tô Solteira, uma versão em tecnobrega de Single Ladies, de Beyoncé. A canção viralizou e lhe rendeu o apelido de Beyoncé do Pará.
O primeiro álbum solo foi lançado em 2012. Treme trouxe hits como Xirley e Ex Mai Love, que acabou escolhido como tema de abertura da novela global Cheias de Charme e ajudou a consolidar de vez sua posição como rainha do tecnobrega.
Ela faturou os prêmios de Artista Feminina do Ano e Artista do Ano no MTV Video Music Brasil, a categoria Novo Hit no Prêmio Multishow e o Troféu APCA de Melhor Cantora. Ela também foi eleita pela revista Época uma das 100 Personalidades Mais Influentes do Brasil.
O sucesso do álbum de estreia também a levou a se apresentar em palcos famosos, como o Festival de Cannes, na França, e o Brasil SummerFest, nos Estados Unidos.
O talento de Gaby Amarantos não ficou restrito à música. Em 2013, ela fez sua estreia como atriz na minissérie Contos do Edgar, exibida no canal Fox, e no mesmo ano estreou nos cinemas com a comédia Crô: O Filme.
Nos anos seguintes, Gaby se tornou uma das apresentadoras fixas do programa Saia Justa, no canal GNT, e, em 2021, passou a integrar o time de técnicos do The Voice Kids Brasil, no qual chegou à final com sua candidata Isabelle Ribeiro.
Já como atriz de novelas, Gaby brilhou em Além da Ilusão (2022), da Rede Globo, e também protagonizou o longa Serial Kelly, no qual interpretou uma mulher marginalizada em busca de liberdade.
A inquietação criativa sempre foi uma marca de Gaby. Em 2021, ela lançou o álbum Purakê, que mistura ritmos regionais com batidas globais e reforça o protagonismo feminino amazônico.
O nome do disco faz referência a um peixe elétrico típico da região Norte, simbolizando a força e a energia que atravessam sua obra.
O trabalho foi bem-recebido pela crítica e mostrou uma artista mais madura, consciente de seu papel como porta-voz da Amazônia contemporânea. O álbum mescla carimbó, guitarrada, afrobeat e pop eletrônico, reafirmando que Gaby não se limita a rótulos.
Em 2022, a cantora celebrou os 20 anos da banda Tecno Show com o projeto TecnoShow (Vol. 1), um álbum nostálgico que revisita os grandes sucessos do grupo e apresenta versões tecnobrega de clássicos de artistas como Cyndi Lauper, Roxette e Bee Gees.
Mais do que cantora, Gaby Amarantos é uma embaixadora da cultura amazônica, promovendo projetos, como Xarque da Gaby e Laje da Naza, que buscam promover artistas paraenses e valorizar a estética das periferias nortistas.
Ela ajudou a transformar o tecnobrega e o tecnomelody em símbolos de identidade regional, reconhecidos hoje como Patrimônio Cultural e Imaterial do Pará.
Gaby Amarantos vive uma fase de plenitude artística, consolidando-se como uma referência incontestável da cena do Norte.
Essa etapa foi celebrada com o lançamento, em 2024, de Mulher da Amazônia, single em parceria com Zaynara, jovem artista que desponta como um dos novos talentos do Pará. A faixa exalta a identidade, a resistência e a beleza da mulher amazônica.
A faixa combina afrobeat, guitarrada e carimbó, dando origem ao que Gaby batizou de Amazon Beat, um som que une os tambores africanos às guitarras elétricas e às batidas eletrônicas típicas das festas de aparelhagem.
O lançamento de Mulher da Amazônia se conecta diretamente ao projeto Rock Doido Gaby Amarantos, que reforça o conceito de Gaby como artista-multiplataforma. A experiência audiovisual completa une música, cinema, moda e performance.
O projeto foi gravado em um plano-sequência de 22 minutos no bairro do Condor, em Belém, traduzindo o espírito das lendárias festas de aparelhagem, símbolo máximo da cultura popular paraense.
Com participações de Viviane Batidão, Lauana Prado, MC Dourado e Gang do Eletro, o Rock Doido celebra o encontro entre o tecnobrega, o pop e o funk, como uma declaração de identidade e pertencimento.
Agora, Gaby se prepara para subir ao palco no Global Citizen Festival: Amazônia, que acontece em Belém, no estádio do Mangueirão, em 1º de novembro. O evento contará com nomes como Chris Martin (Coldplay), Anitta, Seu Jorge e Gilberto Gil.
Por trás da artista da voz poderosa, há uma mulher que viveu intensas transformações pessoais nos últimos anos. Gaby Amarantos sempre foi sinônimo de autenticidade, coragem e resistência, dentro e fora dos palcos.
Recentemente, ela decidiu redescobrir a si mesma, enfrentando dores profundas, perdas familiares e uma jornada de autoconhecimento que a levou a repensar o próprio corpo, a saúde e a relação com sua imagem.
Mãe de Davi, nascido em 2009, Gaby construiu sua trajetória conciliando arte, maternidade e independência. Criou o filho sozinha, após ter sido abandonada durante a gravidez, e sempre tratou essa experiência não como um obstáculo, mas como uma libertação.
A cantora também exerce um papel fundamental na criação das sobrinhas Adriele, de 18 anos, e Ana Vitória, de 8, ao lado da irmã Gabriele. Essa estrutura familiar matriarcal reflete a força das mulheres amazônicas, que cuidam, educam e sustentam lares inteiros.
Durante 10 anos, Gaby viveu um relacionamento com o fotógrafo britânico Gareth Jones, com quem dividiu momentos de intensa parceria. O relacionamento chegou ao fim em 2024, e, a partir daí, ela mergulhou em uma fase de autoconhecimento e reconstrução emocional.
O ano de 2025 marcou uma virada na vida de Gaby Amarantos. A morte de seu irmão Gabriel, em junho, após uma longa batalha contra o diabetes, provocou uma reflexão profunda sobre saúde, herança familiar e autocuidado.
A perda do irmão foi o ponto de partida para uma mudança radical de estilo de vida: ela passou a adotar novos hábitos alimentares, incorporou exercícios à rotina e se submeteu a tratamentos de desintoxicação para eliminar toxinas e reduzir inflamações.
O resultado físico foi visível. Gaby emagreceu cerca de 35 quilos, mas o que mais mudou foi o olhar sobre si mesma. Ela aprendeu a respeitar seu corpo em todas as fases: Meu emocional está cheio de tesão pela vida, afirmou recentemente.
A nova Gaby Amarantos é, acima de tudo, uma mulher em reconexão com sua essência. Mais leve, saudável e plena, ela segue celebrando a vida com a mesma intensidade que canta suas canções: sempre fiel a si mesma e às suas raízes.
Agora que você sabe quem é Gaby Amarantos, confira o conteúdo exclusivo sobre os ritmos do Pará e conheça a cultura do carimbó ao brega funk!





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