Nacht
am sunntig mittag ufstoh mit verbrennta augabraua
d'sunna schiint ins zimmer und es stinkt wien aschabechr
en gschmack im muul wie kompost und e fleckigs shirt
womer seit dasi han wella trinka doch nid alles verdaue
e leeri im portmonee, denn sus paar schlaui fraua
die hend geschter sonen bsoffna vor spendabla sorte gseh
e klises männli i mim kopf wo presslufthämmer hät und
mit de hämmer gäga mini schädeldecki hämmeret
e bitz ins wanka ko bim ufstoh und go wasser trinka
sich beschissa fühle abr trotzdem alles klasse finda
i lieb dr usgang do, i mag die lüüt ir stadt
wo um dia hüüser züchen stadt bevölkeren bis tüf ind nacht
und tüf ind gläser luagen zema reden und tanzen
sich zur musik im kreis drehen bis sie seeleverwandt sind
d'nacht veränderet alles, d'nacht veränderet mensche
in dr nacht do trifft sich e gmeinschaft ohni länder und grenze
i fiir mis woodstock in dr nacht, mit a bitz help from my friends
mit as bitz bier in my pun und a bitz geld in my pants
am tag do schloft dia stadt doch in dr nacht do isch dia stadt wach.
i knöpfa d'jacka zua und laufa richtig dunkelheit
e dunkelheit wo über d'berga sternafunkla leit
di erscht laterne kunt, di zweit di dritt
sie wiisen mir dä weg ind stadt zu mina spunta
zeigen d'route zur betrunkaheit
es isch schissikalt, mine atem neblig,
sehn scho wie mora uf dr wiisa riife strahlt
abr echt i han das gera i verwila no kli drum
und gnüsse d'atmosphära vo dr stilli vorem sturm
doch denn drüll i am volume stell uf zuefälligi wiedergab
i luega mini seria mit somna verklebta melancholischa flash
döt woni wohna ghörsch jazz,
gsehn wie langsam d'liechter lösch
und i freu mi mann
zücha mitm lied im hörer de kastaniebäum entlang
und alli verabredeta ziite verpasst
abr irgend aswo, inre verwinkleta gass
find i eu hinterme glass und denn trinkemer eis
natürlich, mer trinken au no meh
und de ganz palast vom alltag löst sich uf in guata gspröch,
das wird e langi nacht
und machen genderstar bis ima tanzpalast
in dr nacht do wird dia stadt min ankerplatz.
Noite
num domingo de manhã, acordo com os olhos queimando
o sol brilha no quarto e o cheiro é de cinzas
um gosto na boca como de lixo e uma camisa manchada
querendo beber, mas não dá pra engolir tudo
uma carteira vazia, porque umas mulheres espertas
viram a gente bêbado ontem, de um jeito generoso
um clichê na minha cabeça, com martelos pneumáticos
batendo na minha cabeça, fazendo barulho
um pouco tonto ao levantar e ir beber água
me sentindo mal, mas ainda assim achando tudo ótimo
eu amo a saída, gosto das pessoas da cidade
que cercam as casas, povoando a cidade até tarde da noite
e até os copos se enchem, conversando e dançando
girando ao som da música até se sentirem conectados
à noite tudo muda, à noite as pessoas mudam
na noite se encontra uma comunidade sem países e fronteiras
eu vou para o meu Woodstock à noite, com um pouco de ajuda dos meus amigos
com um pouco de cerveja no bolso e um pouco de grana na calça
de dia a cidade dorme, mas à noite a cidade está acordada.
eu fecho o casaco e ando na escuridão
uma escuridão que brilha com estrelas sobre as montanhas
a primeira lanterna aparece, a segunda, a terceira
elas me mostram o caminho na cidade até meu ponto
mostrando a rota para a embriaguez
está frio, meu hálito é nebuloso,
vejo como amanhã brilha na estrada
mas na real, eu só quero me perder um pouco
e aproveitar a atmosfera do silêncio antes da tempestade
mas então eu aumento o volume para uma reprodução aleatória
vejo minha série com algumas lembranças melancólicas grudadas
onde eu moro, escuto jazz,
vejo as luzes se apagando lentamente
e fico feliz, cara
caminhando com a música nos fones ao longo do castanheiro
e todos os horários marcados foram perdidos
mas em algum lugar, em uma rua tortuosa
encontro vocês atrás do vidro e então bebemos gelo
claro, a gente bebe mais
e todo o palácio do cotidiano se dissolve em boas conversas,
vai ser uma longa noite
e fazemos gênero até o salão de dança
na noite, a cidade se torna meu porto.