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Mendelssohn

Brigitte Fontaine

Mendelssohn

J’écoutais Melody Nelson
Du très regretté Mendelssohn
Lorsque soudain surgit l’orage
Ainsi qu’un démon plein de rage

Je mets mon voile et ma chemise
Et je me rends vite à l’église
La synagogue ou la mosquée
Excusez moi j’ai oublié

J’implore à genoux le seigneur
De me rendre la paix du cœur
Mais zut c’était la pénurie
Pour la personne sans zizi

Mon stock n’est pas pour les commères
Tu peux retourner voir ta mère
Me dit tout à trac l’Eternel
Qui n’a que faire des femelles

Je me dis quittant la kermesse
Ce n’est pas pour nous ce bizness
C’est vrai que c’est pour les poilus
Les patriarches les cocus

Je pars soufflant comme une forge
Vers un palace en sucre d’orge
Quarante étages verts et roses
Que j’ai connu à peine éclose

Très vite je prends l’ascenseur
En jouant Mendelssohn par cœur
Avec mon violon que j’ai pris
Sur un coussin près de mon lit

Le son resplendit et chatoie
Jusqu’au sofas de chocolat
Derviches et fées dans leurs ébats
Sur de grands divans de moka

En léchant les parois de miel
De caramel et d’hydromel
Je monte et descends sans arrêt
Et c’est alors enfin la paix

Mendelssohn

Eu ouvia Melody Nelson
Do muito querido Mendelssohn
Quando de repente surgiu a tempestade
Como um demônio cheio de raiva

Coloco meu véu e minha camisa
E corro rápido pra igreja
A sinagoga ou a mesquita
Desculpa, eu esqueci

Imploro de joelhos ao senhor
Pra me trazer a paz no coração
Mas droga, era a escassez
Pra quem não tem pênis

Meu estoque não é pra fofoqueiros
Você pode voltar a ver sua mãe
Me diz de repente o Eterno
Que não se importa com as mulheres

Eu me digo saindo da festa
Esse negócio não é pra nós
É verdade que é pros pelados
Os patriarcas, os cornos

Vou soprando como uma fornalha
Em direção a um palácio de açúcar
Quarenta andares verdes e rosas
Que conheci mal nascendo

Rapidinho pego o elevador
Tocando Mendelssohn de cor
Com meu violino que peguei
Em um travesseiro perto da minha cama

O som brilha e cintila
Até os sofás de chocolate
Dervixes e fadas em seus amores
Sobre grandes divãs de moka

Lambendo as paredes de mel
De caramelo e hidromel
Subo e desço sem parar
E é então que finalmente vem a paz

Composição: Jean-Claude Vannier / Brigitte Fontaine