No Quería Acordarme
Hoy me acordé de tu tibio latir, de tu calor sin mí, del frío de tu almohada
De la forma de tu disentir y de hacerme sentir con solo una mirada
De esta escoba con el polvo gris, de lunas que te di y barrí en la madrugada
Que el insomnio es un sueño de ti, viniéndome a decir que no me sueñas nada
Me acordé de la decoración que escogimos los dos pa' esta casa infinita
Con, mi duda hicimo' el balcón, y con tu corazón el cuarto de visitas
Del latido escondido en tu voz pidiéndome un café en nuestra primera cita
Y el crujido de cuando quebró, diciendo aquí estaré si un día me necesitas
Me acordé de tu perdón a plazos, y de los balazos de abrazos en guerra
Del sonido seco de tus pies descalzos tatuando tus pasos por las escaleras
De contarte que ya estaba harto de sentirte tanto y sentirme cualquiera
De entregarnos la vida en un cuarto, tú un cuarto de vida, yo la vida entera
Hoy no quería acordarme de ti
Pero cerrando los ojos te vi
Te abracé en sueños, luego te perdí
Y al despertar al que perdí fue a mí
Pongo latidos en modo repeat
Por si repito lo que un día sentí
Hoy no quería acordarme de ti
Pero siempre, siempre, siempre estás ahí
Hoy me acordé
De tu prisa tardía, de tus poesías, de tu herida abierta
De tu insomnio dando el buenos días cuando me dormía dándome la vuelta
De estirar tu parte de la cama, esa que tenías cerca de la puerta
Y entender ahora que ya no hay nada que: Tú ya te ibas y no me di cuenta
Me acordé del filo del silencio cortando los gritos que ya no nos damos
Del olor a azufre de un recuerdo de los mil intentos que tanto quemamos
De la cara de tus desconsuelos, del no tengo celos, de tu uno y nos vamos
De una nube enredada en tu pelo, por bajarte el cielo con mis mismas manos
Me acordé de tentarnos a tientas, venciendo a tormentas llegando a buen puerto
De comernos en noches hambrientas, amando a la nuestra nombrándonos nuestros
De contarle a esta Luna sedienta que ya te he soltado un sesenta por ciento
Y no hablarle del otro cuarenta por si se da cuenta que a ti no te suelto
Hoy no quería acordarme de ti
Pero cerrando los ojos te vi
Te abracé en sueños, luego te perdí
Y al despertar al que perdí fue a mí
Pongo latidos en modo repeat
Por si repito lo que un día sentí
Hoy no quería acordarme de ti
Pero siempre, siempre, siempre estás ahí
En mí
Eu não queria me lembrar
Hoje me lembrei do seu coração quentinho, do seu calor sem mim, da frieza do seu travesseiro
O jeito como você discorda e me faz sentir com apenas um olhar
Dessa vassoura com o pó cinzento, das luas que te dei e varri ao amanhecer
Essa insônia é um sonho seu, vindo me dizer que você não sonha comigo
Lembrei-me da decoração que ambos escolhemos para esta casa sem fim
Com a minha dúvida fizemos a varanda, e com o seu coração o quarto de hóspedes
Daquela batida escondida na sua voz me convidando para um café no nosso primeiro encontro
E o som de estalo quando quebrou, dizendo: "Estarei aqui se você precisar de mim."
Lembrei-me do seu perdão parcial e dos abraços que pareciam tiros de guerra
Do som seco dos seus pés descalços marcando seus passos na escada
Só para te dizer que eu já estava cansado de sentir tanto a sua falta e de me sentir como qualquer outra pessoa
Para entregarmos nossas vidas um ao outro em um quarto, você um quarto da sua vida, eu a minha vida inteira
Eu não queria pensar em você hoje
Mas, fechando os olhos, eu te vi
Eu te abracei em meus sonhos, depois te perdi
E quando acordei, a única pessoa que eu havia perdido era eu mesma
Coloquei as batidas do coração em repetição
Caso eu repita o que já senti antes
Eu não queria pensar em você hoje
Mas você está sempre, sempre, sempre lá
Eu me lembrei hoje
Da tua pressa tardia, dos teus poemas, da tua ferida aberta
Da sua insônia, dizendo bom dia quando eu estava adormecendo, me virando de um lado para o outro
Ao se esticar na parte da cama que ficava perto da porta
E agora entender que não sobrou nada: você já estava indo embora e eu não percebi
Lembrei-me da tênue linha do silêncio que cortava os gritos que já não trocamos
Do cheiro de enxofre, da lembrança das mil tentativas que tanto desperdiçamos
Da face de suas tristezas, do "Não estou com ciúmes", do seu "um e já era"
De uma nuvem emaranhada em seus cabelos, para trazê-la do céu com minhas próprias mãos
Lembrei-me de nos tentarmos mutuamente, timidamente, de superarmos tempestades e de chegarmos a um porto seguro
De nos devorarmos em noites de fome, de amarmos os nossos, de nos chamarmos de nossos
Para dizer a esta Lua sedenta que eu já libertei sessenta por cento de vocês
E não conte a ele sobre os outros quarenta, caso ele perceba que eu não vou te deixar ir
Eu não queria pensar em você hoje
Mas, fechando os olhos, eu te vi
Eu te abracei em meus sonhos, depois te perdi
E quando acordei, a única pessoa que eu havia perdido era eu mesma
Coloquei as batidas do coração em repetição
Caso eu repita o que já senti antes
Eu não queria pensar em você hoje
Mas você está sempre, sempre, sempre lá
Em mim