Tan Roto
Quería venderles humo y les vendí granizo
Tan fresco mentalmente que me criogenizo
Sin pelos en la lengua estoy rizando el rizo
Antes hacia el amor y el amor me deshizo
Cuento cada segundo con un reloj suizo
Prepara el fin del mundo que yo me organizo
Podrás rapear muy bien pero no estás esquizo
Tu escribes en tu cuarto yo me descuartizo
No hay naturaleza en mi arboleda
Pideme cervezas que certezas no me quedan
He perdido el hilo pero el alma aun se me enreda
Por fabricarme alas entre gusanos de seda
Nacen palomas en el cielo de mis verbos
Dispuesto a estamparme prefiero arriesgar mis cuervos
Puedo sembrar dudas pero no avivar lo yermo
No hay hoja desnuda que vista su propio invierno
Solamente puedo hacerte paradojas
No bajo el cielo pero sé cuando me moja
De lágrima fuerte y de sonrisa floja
Si la suerte es un trébol le llevo un as de mil hojas
Mendigos durmiendo en aquel cajero
Soñando en lo que no compra el dinero
Estás hecho polvo, me dijo el plumero
Demasiado fuego en mis ideas de bombero
Amigos se cuentan por verdaderos
La vida se rige por los te quieros
A la Luna le picaban los anhelos
Y buscando en la ciudad encontró su rascacielos
Dile al camarero que ponga otra vida
Que esta me la pienso beber
Lo que fue coser y cantar en su día
Hoy es cantar y correr
A la tercera va la vencida
A la cuarta me dejo vencer
No sé si lo malo no olvida
O a lo bueno le cuesta aprender
Un barrendero me ha dicho a escondidas
Que ya no me va a recoger
Que no hay escoba para mis heridas
Que no se parta al barrer
Tendrás que mirar para arriba
Cuando quieras verme caer
Yo nunca he jugado en tu liga
Porque siempre he sido el linier
Estoy tan roto como tabique en perico
Tan roto que la palabra "roto" está hecha añicos
Que sabrá este sobre de a qué precio me publico
Si se me cruza el cable cuando empiezo a hablarle al micro
Pero rimo y les llueven alfileres
Y aunque vengan de boquilla nunca pierdo los papeles
Tengo una imagen de Shakespeare colgada por las paredes
No dice: Ser o no ser, me dice: No sé quien eres
Solo me habré ido cuando sea participio
Salto precipicios pero nunca mis principios
Soplé mis pestañas con el viento del suplicio
Vi patas de araña y las puse en tela de juicio
Si la vida es perra que venga que la acaricio
Demasiados Judas por tan poco beneficio
Sácame de dudas, pero no saques de quicio
Mi nombre es Jesús entiende mi sacrificio
No esperes que me tiente lo prohibido
Lo prohibido está al alcance de cualquiera
Dejé de temer lo desconocido
Y ahora temo que me conozca de veras
En la música me mato con el ruido
En la lengua me mato con mis poemas
En historia me mato con el olvido
Y en la física me matan los problemas
Dile al camarero que ponga otra vida
Que esta me la pienso beber
Lo que fue coser y cantar en su día
Hoy es cantar y correr
A la tercera va la vencida
A la cuarta me dejo vencer
No sé si lo malo no olvida
O a lo bueno le cuesta aprender
Un barrendero me ha dicho a escondidas
Que ya no me va a recoger
Que no hay escoba para mis heridas
Que no se parta al barrer
Tendrás que mirar para arriba
Cuando quieras verme caer
Yo nunca he jugado en tu liga
Porque siempre he sido el linier
Tão Quebrado
Queria vender fumaça e vendi granizo
Tão tranquilo na mente que me criogenizo
Sem papas na língua, tô rindo do riso
Antes fazia amor e o amor me desfez
Conto cada segundo com um relógio suíço
Prepara o fim do mundo que eu me organizo
Você pode rimar bem, mas não tá esquizofrênico
Você escreve no seu quarto, eu me descuartizo
Não há natureza na minha floresta
Me pede cervejas que certezas não me restam
Perdi o fio, mas a alma ainda se enreda
Por ter feito asas entre bichos de seda
Nascem pombas no céu dos meus verbos
Disposto a me estampar, prefiro arriscar meus corvos
Posso plantar dúvidas, mas não avivar o ermo
Não há folha nua que vista seu próprio inverno
Só posso te fazer paradoxos
Não tô sob o céu, mas sei quando me molha
De lágrima forte e de sorriso frouxo
Se a sorte é um trevo, levo um ás de mil folhas
Mendigos dormindo naquele caixa eletrônico
Sonhando com o que o dinheiro não compra
Você tá feito pó, me disse o espanador
Demais fogo nas minhas ideias de bombeiro
Amigos se contam pelos verdadeiros
A vida se rege pelos "te quero"
A Lua sentia picadas dos anseios
E buscando na cidade, encontrou seu arranha-céu
Diga ao garçom que traga outra vida
Que essa eu tô pensando em beber
O que era só costurar e cantar um dia
Hoje é cantar e correr
Na terceira vai a vencida
Na quarta me deixo vencer
Não sei se o ruim não esquece
Ou se o bom tem dificuldade em aprender
Um gari me disse em segredo
Que não vai mais me pegar
Que não há vassoura para minhas feridas
Que não se quebre ao varrer
Você vai ter que olhar pra cima
Quando quiser me ver cair
Eu nunca joguei na sua liga
Porque sempre fui o bandeirinha
Tô tão quebrado quanto um nariz de periquito
Tão quebrado que a palavra "quebrado" tá em pedaços
Que saberá esse envelope a que preço me publico
Se me cruzo os fios quando começo a falar pro microfone
Mas eu rimo e chovem alfinetes
E mesmo que venham de boca, nunca perco a linha
Tenho uma imagem de Shakespeare pendurada nas paredes
Não diz: Ser ou não ser, me diz: Não sei quem é você
Só terei ido quando for particípio
Pulo precipícios, mas nunca meus princípios
Soprei minhas pestanas com o vento do suplício
Vi patas de aranha e as coloquei em dúvida
Se a vida é uma cadela, que venha que eu a acaricio
Demais Judas por tão pouco benefício
Tire-me das dúvidas, mas não me tire do sério
Meu nome é Jesus, entenda meu sacrifício
Não espere que eu me deixe levar pelo proibido
O proibido tá ao alcance de qualquer um
Deixei de temer o desconhecido
E agora temo que me conheça de verdade
Na música me mato com o barulho
Na língua me mato com meus poemas
Na história me mato com o esquecimento
E na física me matam os problemas
Diga ao garçom que traga outra vida
Que essa eu tô pensando em beber
O que era só costurar e cantar um dia
Hoje é cantar e correr
Na terceira vai a vencida
Na quarta me deixo vencer
Não sei se o ruim não esquece
Ou se o bom tem dificuldade em aprender
Um gari me disse em segredo
Que não vai mais me pegar
Que não há vassoura para minhas feridas
Que não se quebre ao varrer
Você vai ter que olhar pra cima
Quando quiser me ver cair
Eu nunca joguei na sua liga
Porque sempre fui o bandeirinha