
Interestelar
Bruno Stevan
Cansei das vozes que gritam mentiras
Dos muros erguidos pra esconder a dor
Cidade de luzes que apagam verdades
Promessas em chamas, cinzas sem cor
Me fiz passageiro do próprio silêncio
Fugi pra não ser o que querem de mim
A Terra afundando em sua arrogância
E eu me lançando ao espaço sem fim
Não levo bandeira, não sigo sinais
Nem mapa do caos que eu deixei pra trás
Parto sem glória, sem culpa, sem lar
Rumo ao exílio interestelar
Levo comigo o que o mundo perdeu
Verdades que o medo escondeu
Fora da órbita, vou respirar
Longe da febre que chamam de paz
Nesse vazio há paz ideal
É onde ao menos posso ser real
Mentiram para nós, venderam os sonhos
E chamam de ordem o que é opressão
Mas quem construiu esse império de espelhos
Tem medo do som da própria razão
Os líderes gritam sem dizer nada
Os santos vendem a salvação
A nossa fé virou moeda de troca
E a alma, um dado na palma da mão
Queimaram a fé, calaram o amor
Restou só concreto no lugar da flor
Parto sem glória, sem culpa, sem lar
Rumo ao exílio interestelar
Levo comigo o que o mundo perdeu
Verdades que o medo escondeu
Fora da órbita, vou respirar
Longe da febre que chamam de paz
Nesse vazio há paz ideal
É onde ao menos posso ser real
E se um dia alguém me escutar
Entre estáticas de um céu
Feito só pra mim
Saberá que eu tentei acordar
O que restou de um mundo
Que dormia sem fim!
Parto sem glória, sem culpa, sem lar
Rumo ao exílio interestelar
Levo comigo o que o mundo perdeu
Verdades que o medo escondeu
Fora da órbita, vou respirar
Longe da febre que chamam de paz
Nesse vazio há paz ideal
É onde ao menos posso ser real



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