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Pai e Mãe

Brytter

Padre y Madre

Dímelo, Brytter

Desde muy niño soñé
Con tener una familia
El tiempo me fue mostrando
Que la vida no siempre avisa
Crecí viendo a mi viejo
Levantarse antes del Sol
Cargando solos los días
Sin pedirle nada a Dios

Mi papá fue padre y madre
Cuando el hogar se partió
Nunca habló de estar cansado
Aunque el alma le dolió
Me enseñó que no se huye
Cuando todo va mal
Que hay que pararse derecho
Aunque cueste respirar

Mi mamá no estuvo siempre
La distancia la llevó
Pero la llevo en el alma
Aunque nunca se quedó
Hay ausencias que acompañan
Aunque no sepan volver
Y yo aprendí a quererlas
Sin preguntarles por qué

Y con los años entendí
Que no todo es como soñé

Por eso tomo, no por vicio
Tomo pa' no recordar
Al niño que entre silencios
Aprendió a no preguntar

Tomo por lo que no tuve
Por lo que me tocó ser
Porque la vida me enseñó
A perder antes de creer

Yo juré cuando era niño
No vivir así jamás
Pero la vida te pone
Donde no quieres estar
No reclamo, no maldigo
Ya entendí cómo es esto aquí
Hay sueños que se hacen fuerza
Pa' dejarte seguir

Y si me miran callado
No es que no quiera hablar

Es que tomo, no por vicio
Tomo pa' poder soltar
Las historias que no se cuentan
Pero pesan igual
Tomo por mi viejo firme
Por mi madre en mi interior
Por el niño que soñaba
Y el hombre que sobrevivió

Brytter

Pai e Mãe

Me diz, Brytter

Desde pequeno sonhei
Em ter uma família
O tempo foi me mostrando
Que a vida não avisa sempre
Cresci vendo meu velho
Levantando antes do Sol
Carregando os dias sozinho
Sem pedir nada a Deus

Meu pai foi pai e mãe
Quando o lar se despedaçou
Nunca falou que estava cansado
Embora a alma lhe doeu
Me ensinou que não se foge
Quando tudo vai mal
Que é preciso se manter firme
Mesmo que custe respirar

Minha mãe nem sempre esteve
A distância a levou
Mas a carrego na alma
Mesmo que nunca ficou
Existem ausências que acompanham
Mesmo sem saber voltar
E eu aprendi a amá-las
Sem perguntar o porquê

E com os anos entendi
Que nem tudo é como sonhei

Por isso bebo, não por vício
Bebo pra não lembrar
Do menino que entre silêncios
Aprendeu a não perguntar

Bebo pelo que não tive
Pelo que me tocou ser
Porque a vida me ensinou
A perder antes de crer

Eu jurei quando era criança
Não viver assim jamais
Mas a vida te coloca
Onde você não quer estar
Não reclamo, não amaldiçoo
Já entendi como é aqui
Existem sonhos que se tornam força
Pra te deixar seguir

E se me veem calado
Não é que eu não queira falar

É que eu bebo, não por vício
Bebo pra poder soltar
As histórias que não se contam
Mas pesam igual
Bebo pelo meu velho firme
Pela minha mãe dentro de mim
Pelo menino que sonhava
E o homem que sobreviveu

Brytter

Composição: Brytter Parra