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Carne

Buena Fe

Carne

Un enorme trozo de carne
Rojísima, púrpura, tiesa
Emanando y chorreando la sangre
A un charco que le hace limpieza
La lengua querosa que lame
Del fétido perro de presa
Las moscas que atacan en tándem
El hacha trozea y se aleja
Trozea y se aleja

Ese quieto trozo de carne
Fue ola frente al arrecife
Encabritamiento con veleidades
Regalo para el matarife
Las huecas palabras amables
Azúcares en demasía
Avisa de felicidades
Que no sabía
Que ya tenía
Todavía cree
Que galopa
Libre y viento en popa

Todavía cree
Que así al cielo enamora
Salto elegante y cabriola
Cree

Que sobre fuego también se trota
Y esto es sin vida el carbón que arde
No ve (no ve)
Que es no es más que un pedazo de carne
Y es que cree
Que es cristal de escarcha
Y el monte le besa la marcha

Todavía cree
Que la brisa le peina la crin
Que el mundo es su jardín
Cree

Que sobre fuego también se trota
Y esto es sin vida el carbón que arde
No ve (no ve)
Que no es más que un pedazo de carne
Restaurante de carretera
Abierto a lo pronto que caiga
Ni pregunta ni pasa ni pesa
Factura, procesa y a la brasa
Total los viajeros hambrientos
No cuestionarán la sevicia
Con picante y condimento
Lo asado será una delicia
Inmundicia
Todavía cree
Que galopa
Libre y viento en popa

Todavía cree
Que así al cielo enamora
Salto elegante y cabriola
Cree

Que sobre fuego también se trota
Y esto es sin vida el carbón que arde
No ve (no ve)
Que es no es más que un pedazo de carne
Y es que cree
Que es cristal de escarcha
Y el monte le besa la marcha

Todavía cree
Que la brisa le peina la crin
Que el mundo es su jardín
Cree

Que sobre fuego también se trota
Y esto es sin vida el carbón que arde
No ve (no ve)
Que no es más que un pedazo de carne

Todavía cree
Todavía cree
Y es que cree
Todavía cree

Carne

Um enorme pedaço de carne
Vermelha, roxa, rígida
Emanando e pingando sangue
Para uma poça que faz a limpeza
A língua pegajosa que lambe
Do fedorento cão de caça
As moscas que atacam em conjunto
O machado corta e se afasta
Corta e se afasta

Esse quieto pedaço de carne
Foi onda diante do recife
Rebelião com veleidades
Presente para o açougueiro
As palavras vazias amáveis
Açúcares em excesso
Anuncia felicidades
Que não sabia
Que já tinha
Ainda acredita
Que galopa
Livre e vento em popa

Ainda acredita
Que assim conquista o céu
Salto elegante e cabriola
Acredita

Que sobre fogo também se pula
E isso é sem vida o carvão que queima
Não vê (não vê)
Que não passa de um pedaço de carne
E acredita
Que é cristal de geada
E a montanha beija sua marcha

Ainda acredita
Que a brisa penteia sua crina
Que o mundo é seu jardim
Acredita

Que sobre fogo também se pula
E isso é sem vida o carvão que queima
Não vê (não vê)
Que não passa de um pedaço de carne
Restaurante de estrada
Aberto a qualquer hora
Não pergunta, não passa, não pesa
Fatura, processa e grelha
No final, os viajantes famintos
Não questionarão a crueldade
Com pimenta e condimentos
O assado será uma delícia
Imundície
Ainda acredita
Que galopa
Livre e vento em popa

Ainda acredita
Que assim conquista o céu
Salto elegante e cabriola
Acredita

Que sobre fogo também se pula
E isso é sem vida o carvão que queima
Não vê (não vê)
Que não passa de um pedaço de carne
E acredita
Que é cristal de geada
E a montanha beija sua marcha

Ainda acredita
Que a brisa penteia sua crina
Que o mundo é seu jardim
Acredita

Que sobre fogo também se pula
E isso é sem vida o carvão que queima
Não vê (não vê)
Que não passa de um pedaço de carne

Ainda acredita
Ainda acredita
E acredita
Ainda acredita

Composição: Israel Rojas